A imprensa nacional destaca hoje uma operação de buscas do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) e da Polícia Judiciária (PJ) no Gabinete do Secretário de Estado da Protecção Civil, o arouquense e ex-autarca Artur Neves, também presidente da Assembleia Municipal de Arouca. Estão no terreno cerca de 200 investigadores, com outros locais de busca domiciliária e em 46 empresas e instituições. Em causa, segundo o Diário de Notícias, estará o polémico dossiê da aquisição das golas anti-fumo, no âmbito do programa Aldeia Segura, e que levou à demissão em final de Julho de Francisco Ferreira, quando ocupava o lugar de adjunto no referido Gabinete. Francisco Ferreira é o presidente da concelhia do PS de Arouca e membro da Assembleia Municipal. De acordo com os jornais, as autoridades suspeitam que a aquisição, que teve financiamento de fundos europeus, possa constituir uma fraude na obtenção de subsídio uma vez que os preços contratados seriam o dobro do praticado pelo mercado. Há também suspeitas do crime de participação económica em negócio dos vários intervenientes e de corrupção. Na mesma notícia é referenciado o nome de uma empresa arouquense - a Brain One - que também terá sido consultada para as aquisições da Protecção Civil, havendo registo de pelo menos uma compra. Para o DN, o Ministério Público estará a deslindar pelo menos onze detalhes do negócio, nomeadamente «as empresas consultadas nada tinham a ver com a actividade de emergência e protecção civil», «o papel de Francisco Ferreira que admitiu o seu envolvimento na escolha das empresas para a produção de kits de emergência», «a contratação da Brain One também para fornecer kits», e «o papel das empresas consultadas, se foram compensadas por participarem num concurso que sabiam não ter qualquer hipótese de ganhar». O primeiro-ministro António Costa reagiu às buscas com tranquilidade: «o sistema de justiça está a funcionar». RV 2019-09-18
Em actualização: Artur Neves demite-se do cargo de Secretário de Estado da Protecção Civil.