JOSÉ CARLOS SILVA
 
A cor do dinheiro
 
OPINIÃO | A solvência e o bom nome do clube e de Arouca estão muito acima de uma vitória ou derrota
 
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Estamos numa altura em que o edifício do futebol português dá sinais de desmoronamento acentuado - a mais recente operação de investigação tributária "Fora do jogo" veio por a nu as fragilidades e habilidades do mundo empresarial do futebol.
Mais: os números mais recentes sobre o futebol português são demolidores - o número de espectadores cai vertiginosamente; o número de estrangeiros nas equipas portuguesas cresce exponencialmente e as contas das sociedades desportivas dos clubes (SADs) estão com os números no ‘vermelho'.
Feito este preâmbulo, e como sempre gostei de futebol e do 'nosso' FCA, gostaria de tecer algumas palavras sobre os últimos casos que têm abalado o clube.
O Futebol Clube de Arouca foi fundado em 25 de Dezembro de 1952. A história do clube, quase septuagenário, é constituída por bons e maus momentos, como em qualquer instituição, seja qual for o seu âmbito.
O seu momento de maior glória foi a subida à primeira divisão nacional do futebol português, seguido do surpreendente apuramento para a Liga Europa... Aí foi atingido o cume da ambição para um clube pouco habituado a essas andanças. O sucesso desses momentos de glória teve um rosto: Carlos Pinho! Esse mérito ninguém de boa fé lhe retira. Os problemas vieram depois...
Apesar da boa época desportiva - o FCA lidera confortavelmente a série B do Campeonato de Portugal, com uma equipa 100% profissional, ao contrário de outras equipas da mesma série - a solvência e o bom nome do clube e de Arouca estão muito acima de uma vitória ou derrota da equipa de futebol.
Os sócios e simpatizantes do clube, e até mesmo os arouquenses em geral, terão ficado boquiabertos com a cratera financeira em que o clube está mergulhado, obrigando-o a recorrer ao instrumento jurídico do PER (plano especial de revitalização).
Mais de um milhão de euros em dívidas são o actual retrato financeiro da sociedade desportiva (SDUQ) do FCA, quando há poucos meses atrás Carlos Pinho afirmava, na Assembleia Geral do clube que decidiu avançar para o PER, ser metade desse valor... O que é que se passou entretanto para que o montante em dívida tenha duplicado?...
Perante esta situação financeira delicada, algumas questões exigem respostas por parte dos responsáveis do clube:
-O que se passou na gestão do clube para este desvario das contas, quando Carlos Pinho afirmava publicamente aos quatro ventos que até a compra de rolos de papel higiénico para o clube lhe passava pelas mãos?
-Como é possível o clube estar em dívida de mais de um milhar de euros para com uma instituição de grande alcance social como a AICIA?
-Que obras realizou a empresa Construções Carlos Pinho, Lda. no Futebol Clube de Arouca para ser um dos principais credores do emblema amarelo e azul?
-Porque razão a sociedade desportiva não paga a renda ao senhorio do estádio municipal há mais de dois anos? Qualquer inquilino tem que o fazer mensalmente até ao dia 8 do mês seguinte...
Consideramos que seria de todo clarificador, até para evitar o clima de suspeição que paira no ar, e em nome da transparência, a realização de uma auditoria externa por uma empresa independente e certificada para poder traçar o raio-X financeiro do clube.
Porque, por muito meritório que tenha sido o trabalho de Carlos Pinho à frente do clube, o Futebol Clube de Arouca não começou com ele e seguramente vai prolongar-se no tempo para além dele...
Se quiser ficar na história pelos feitos desportivos alcançados e também pelas boas práticas de gestão, será o primeiro interessado em abrir as portas do clube à credibilidade, à ética e ao fair-play financeiro.
Até porque, sempre afirmou que no dia em que saísse do FCA deixaria as contas a zero!
•••
Há sensivelmente um ano atrás a Câmara Municipal de Arouca firmou um contrato no valor de 12.500 com a "Global Notícias", empresa detentora do Jornal de Notícias (JN) para a publicação de reportagens
e notícias para a ‘promoção do concelho de Arouca'.
A este propósito, a Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas, em estudo feito recentemente, alertou os jornalistas para o "terreno movediço" que são os ‘conteúdos patrocinados', encapotados de notícias, mas que não são mais do que "fretes" que alguns órgãos de comunicação social fazem
a troco de uns "cobres" para fazer face à grave crise financeira em que se encontram mergulhados.
O exemplo do contrato da CMA com o JN é paradigmático desta triste realidade!... As últimas reportagens publicadas no site desse órgão para a promoção do território de Arouca, nada promovem e, pior ainda, transmitem uma imagem provinciana e pequenina do nosso concelho.
Em baixo vai a lista das últimas "notícias encomendadas", e o leitor que tire as suas ilações!...
Nós já tiramos a nossa!...
-CMA poupa 80.000 euros com lâmpadas LED;
-CMA recolhe mobílias e equipamentos para dar a famílias carenciadas;
-Alunos de Arouca visitam e assistem aos "Lusíadas" no Teatro do Bolhão;
-Idosos têm aulas de informática com alunos da ESA;
-Clube de Leitura junta-se na biblioteca de Arouca todos os meses;
-Arouca vai alargar rede de saneamento a 240 habitações.

(texto publicado na edição impressa do RODA VIVA jornal de 2020.03.12)

 
Arouca

Quarta, 08 de Abril de 2020

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A Frase...

"A desertificação que assola Arouca e a falta de empenho do executivo na nossa indústria causam-me preocupação"

Vitor Moreira, deputado municipal do CDS, em entrevista ao RV

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