Estamos numa altura em que o edifício do futebol português dá sinais de desmoronamento acentuado - a mais recente operação de investigação tributária "Fora do jogo" veio por a nu as fragilidades e habilidades do mundo empresarial do futebol. Mais: os números mais recentes sobre o futebol português são demolidores - o número de espectadores cai vertiginosamente; o número de estrangeiros nas equipas portuguesas cresce exponencialmente e as contas das sociedades desportivas dos clubes (SADs) estão com os números no ‘vermelho'. Feito este preâmbulo, e como sempre gostei de futebol e do 'nosso' FCA, gostaria de tecer algumas palavras sobre os últimos casos que têm abalado o clube. O Futebol Clube de Arouca foi fundado em 25 de Dezembro de 1952. A história do clube, quase septuagenário, é constituída por bons e maus momentos, como em qualquer instituição, seja qual for o seu âmbito. O seu momento de maior glória foi a subida à primeira divisão nacional do futebol português, seguido do surpreendente apuramento para a Liga Europa... Aí foi atingido o cume da ambição para um clube pouco habituado a essas andanças. O sucesso desses momentos de glória teve um rosto: Carlos Pinho! Esse mérito ninguém de boa fé lhe retira. Os problemas vieram depois... Apesar da boa época desportiva - o FCA lidera confortavelmente a série B do Campeonato de Portugal, com uma equipa 100% profissional, ao contrário de outras equipas da mesma série - a solvência e o bom nome do clube e de Arouca estão muito acima de uma vitória ou derrota da equipa de futebol. Os sócios e simpatizantes do clube, e até mesmo os arouquenses em geral, terão ficado boquiabertos com a cratera financeira em que o clube está mergulhado, obrigando-o a recorrer ao instrumento jurídico do PER (plano especial de revitalização). Mais de um milhão de euros em dívidas são o actual retrato financeiro da sociedade desportiva (SDUQ) do FCA, quando há poucos meses atrás Carlos Pinho afirmava, na Assembleia Geral do clube que decidiu avançar para o PER, ser metade desse valor... O que é que se passou entretanto para que o montante em dívida tenha duplicado?... Perante esta situação financeira delicada, algumas questões exigem respostas por parte dos responsáveis do clube: -O que se passou na gestão do clube para este desvario das contas, quando Carlos Pinho afirmava publicamente aos quatro ventos que até a compra de rolos de papel higiénico para o clube lhe passava pelas mãos? -Como é possível o clube estar em dívida de mais de um milhar de euros para com uma instituição de grande alcance social como a AICIA? -Que obras realizou a empresa Construções Carlos Pinho, Lda. no Futebol Clube de Arouca para ser um dos principais credores do emblema amarelo e azul? -Porque razão a sociedade desportiva não paga a renda ao senhorio do estádio municipal há mais de dois anos? Qualquer inquilino tem que o fazer mensalmente até ao dia 8 do mês seguinte... Consideramos que seria de todo clarificador, até para evitar o clima de suspeição que paira no ar, e em nome da transparência, a realização de uma auditoria externa por uma empresa independente e certificada para poder traçar o raio-X financeiro do clube. Porque, por muito meritório que tenha sido o trabalho de Carlos Pinho à frente do clube, o Futebol Clube de Arouca não começou com ele e seguramente vai prolongar-se no tempo para além dele... Se quiser ficar na história pelos feitos desportivos alcançados e também pelas boas práticas de gestão, será o primeiro interessado em abrir as portas do clube à credibilidade, à ética e ao fair-play financeiro. Até porque, sempre afirmou que no dia em que saísse do FCA deixaria as contas a zero!
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Há sensivelmente um ano atrás a Câmara Municipal de Arouca firmou um contrato no valor de 12.500 com a "Global Notícias", empresa detentora do Jornal de Notícias (JN) para a publicação de reportagens e notícias para a ‘promoção do concelho de Arouca'. A este propósito, a Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas, em estudo feito recentemente, alertou os jornalistas para o "terreno movediço" que são os ‘conteúdos patrocinados', encapotados de notícias, mas que não são mais do que "fretes" que alguns órgãos de comunicação social fazem a troco de uns "cobres" para fazer face à grave crise financeira em que se encontram mergulhados. O exemplo do contrato da CMA com o JN é paradigmático desta triste realidade!... As últimas reportagens publicadas no site desse órgão para a promoção do território de Arouca, nada promovem e, pior ainda, transmitem uma imagem provinciana e pequenina do nosso concelho. Em baixo vai a lista das últimas "notícias encomendadas", e o leitor que tire as suas ilações!... Nós já tiramos a nossa!... -CMA poupa 80.000 euros com lâmpadas LED; -CMA recolhe mobílias e equipamentos para dar a famílias carenciadas; -Alunos de Arouca visitam e assistem aos "Lusíadas" no Teatro do Bolhão; -Idosos têm aulas de informática com alunos da ESA; -Clube de Leitura junta-se na biblioteca de Arouca todos os meses; -Arouca vai alargar rede de saneamento a 240 habitações.
(texto publicado na edição impressa do RODA VIVA jornal de 2020.03.12)