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PEDRO QUARESMA
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Árvores e alterações climáticas
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OPINIÃO | Apenas temos de saber escolher bem a espécie para o espaço que pretendemos
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Cada dia que passa, são mais as vozes que anunciam o papel fundamental que as árvores poderão desempenhar no combate ou mitigação das alterações climáticas. Mas sendo assim, porque as tratamos tão mal? As árvores desempenham um importante papel no meio urbano, não só por baixarem a temperatura do ambiente onde se inserem, como a servirem de refúgio para os dias mais quentes. Como alguém escrevia há algum tempo, plantar árvores no meio urbano deveria ser considerada uma medida de saúde pública. No entanto, deveríamos saber escolher bem o local onde as instalar, para mais tarde não haver a necessidade de as amputarmos à medida dos pedidos dos vizinhos ou porque estão a causar impactos nas infraestruturas públicas. Mas, dadas as alterações climáticas, iremos cada vez mais ter a necessidade de uma sombra naquelas ondas de calor imprevisíveis. Também ao nível da própria sobrevivência de determinadas espécies de árvores estamos a ter alterações significativas, em que o sobreiro está a ter sérios problemas de sobrevivência em zonas do Alentejo onde sempre cresceu, o castanheiro está a ter problemas com a temperatura e apenas consegue sobreviver em zonas transmontanos de maior altitude, o pinheiro está em declínio acentuado com mortes derivadas de alterações ao nível dos fungos no solo, etc. Todas as árvores, umas mais que outras, estão a sofrer sérios impactos das alterações climáticas e a terem sérias implicações nas produções e na própria sobrevivência. Por isto e por muitos outros factores, deveríamos olhar para a plantação das árvores como um importante passo na mitigação das alterações climáticas, tanto no ambiente rural como no ambiente urbano. Muitas vezes, apenas temos de saber escolher bem a árvore para o espaço que pretendemos, e cada vez mais terá de ser uma decisão multidisciplinar e menos uma moda ou um estado de alma.
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