LUIS ALEXANDRE
 
À descoberta da quinta romana de Adros (Santa Eulália)
 
OPINIÃO | Arouca ganha novo elemento para compor o seu vasto património | TEXTO COM MAIS DE 700 VISUALIZAÇÕES
 
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Identificou-se recentemente na freguesia de St.ª Eulália uma dispersão de achados arqueológicos que tanto pelas suas características, como pela sua dimensão, sugere muito provavelmente a existência de uma quinta de época romana semelhante à do "Casal Romano da Malafaia (Várzea, Arouca) e a outras tantas que haverá ainda por descobrir por todo o vale de Arouca e restante território.
O sítio, identificado por um dos associados do Centro de Arqueologia de Arouca, apresenta diverso material arqueológico que nos permite traçar algumas considerações através da leitura dos vestígios encontrados. Situa-se a meia encosta, junto a terrenos férteis, numa plataforma artificial escavada no estrato geológico (semelhança com a técnica construtiva do Casal Romano da Malafaia), um pouco como se faz nos dias de
hoje para possibilitar a construção de edifícios em terrenos com declive.
Para além do espólio recolhido, composto maioritariamente por tégulas (telhas romanas), são visíveis vestígios de estruturas em pedras de granito facetadas. É ainda visível, pelo olho arqueológico, o que resta de um piso (chão), em argila, no interior de uma das estruturas. No perfil do talude, pelo qual se identificou o sítio, são também percetíveis duas "bolsas" de terra escura com carvões que poderão indiciar a presença de lareiras,
ou algum outro tipo de estrutura/restos de combustão, ou mesmo depósitos de algo que, eventualmente,
poderia ser "lixo".
O achado arqueológico mais expressivo entre todo o material recolhido foi, sem dúvida, um peso de tear romano em barro.
Estes resultados conseguiram-se através da limpeza e registo do sítio, sem prejudicar a estação arqueológica, sendo que qualquer trabalho que envolva remoção de terras e não tenha um pedido prévio de autorização às autoridades competentes é ilegal e poderá dificultar, ou até mesmo impossibilitar a compreensão histórica e arqueológica do sítio, quer pela afetação, quer pela violação das sequências estratigráficas, fator de extrema importância para o registo arqueológico.
Numa hipotética reconstrução mental do sítio é possível imaginar a existência de uma pequena quinta romana (a área habitacional desde tipo de construções poderá andar entre os 50 e os 80 metros quadrados) que, a avaliar pelas datações dos restantes achados arqueológicos de período romano encontrados no concelho de Arouca, será relativamente tardia, talvez dos finais do império (séculos III, IV). Quem ali viveu poderá ter escolhido este lugar, a meia encosta da vertente Sul do monte de S. João de Valinhas, devido à fertilidade do terreno e exposição solar, mas também à posição estratégica que tem sobre o vale de Arouca e à proximidade em relação ao monte de S. João de Valinhas que terá sido, antes da chegada dos romanos, um Castro (povoado fortificado pré-romano), embora posteriormente romanizado.
Ainda que visíveis os restos de pelo menos duas estruturas, desconhecemos as suas dimensões ou funcionalidades. A actividade de tecelagem, em tear vertical, parece ser igualmente uma actividade praticada neste local, documentada pela presença do peso de tear, algo relativamente comum neste tipo de sítios. Sobram os fragmentos cerâmicos e de tégula que correspondem a diferentes cronologias, desde o romano ao contemporâneo, o que pode ser interpretado pelo facto de há alguns anos ter sido rasgada uma estrada no local, formando dois taludes laterais que revelaram a existência do sítio, agora descoberto fruto do acaso. A escavação mecanizada da estrada terá revolvido as terras que se encontram junto à superfície, misturando assim os materiais, o que igualmente sucede em terrenos agricultados.
O sítio, para já registado, aguarda inventariação na carta arqueológica de Arouca, comunicação à Direção Geral do Património e Cultura e a sua integração no Plano Diretor Municipal de Arouca para que o possamos proteger dentro dos termos da lei. Esta inventariação não terá qualquer impacto visível no sítio, pois da identificação à escavação vai uma grande distância, ficando apenas salvaguardada a sua preservação ou o acompanhamento arqueológico em algum trabalho que se venha a desenvolver no sítio, contribuindo para mais uma página da história do nosso território.
Arouca ganha assim um novo elemento para compor o seu vasto património, imperando agora a sua preservação, estudo e dinamização.
 
Arouca

Terça, 12 de Dezembro de 2017

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