ASSOCIATIVISMO
 
Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca celebra 50 anos
 
1972
OPINIÃO | Mantém a máxima “saber estar em palco”
 
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Corria o ano de 1972, quando um grupo alargado de arouquenses tiveram a ideia de criar um Rancho Folclórico na Vila. Como quase todos os grupos folclóricos do nosso concelho, foi na Feira das Colheitas que se viu nascer estes agrupamentos que tinham como finalidade representar, defender e honrar as gentes e as tradições do seu lugar. Com o Rancho da Vila não foi diferente, surge no âmbito da Feira das Colheitas de forma a que a Vila estivesse ali representada. Surge numa brincadeira que ano após ano se foi tornando muito séria, passando assim pouco tempo depois para a Casa do Povo local.
A 23 de Setembro de 1972 o jornal Defesa de Arouca dá notícia de um novo agrupamento, o Rancho Folclórico da Vila, constituído por rapazes e raparigas da freguesia central do concelho, que estava a ser composto para atuar na Feira das Colheitas desse mesmo ano. Há ainda registos neste jornal de que o Grupo fez mais atuações, nomeadamente na Romaria de Santa Luzia em Arouca.
A 16 de junho de 1973 o Defesa de Arouca noticia que a qualidade do Rancho Folclórico da Vila de Arouca é tanto e o sucesso já começa a ser algum que a Casa do Povo resolveu agregar este rancho folclórico e que a partir de 1 de Julho de 1973 este agrupamento passaria a designar-se Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca, nome que ostenta até aos dias de hoje, tendo já percorrido os melhores palcos nacionais e internacionais, de destacar a sua deslocação por duas vezes ao Brasil, em 1990 onde permaneceram 40 dias e em 2001, 30 dias. Atuaram no Rio de Janeiro, São Paulo e Santos. É um fiel interprete dos cantares, danças e trajes de Arouca, sendo reconhecido como sócio efetivo da Federação do Folclore Português.
Na sua génese a função das Casas do Povo em Portugal era a de criar um programa se servisse os interesses dos trabalhadores agrícolas e dos pequenos proprietários, assim como todo o seu agregado familiar. Organismos uteis para promover o bem-estar das gentes do campo, uma vez que estes estavam a abandonar os campos devido à falta de apoios. Era também propósito destas entidades alcançar outros fins de carater cultural e recreativo.
Para que fosse uma realidade numa determinada localidade uma Casa do Povo era necessário que se criasse uma comissão organizadora local acompanhada de uma entidade reguladora, uma delegação do I.N.T.P (Instituto Nacional do Trabalho e Previdência) distrital, e estas teriam de angariar no mínimo 50 sócios. Existiam 3 tipologias de sócios, sócios efetivos, contribuintes e protetores. Os Sócios efetivos eram trabalhadores por conta de outrem das atividades agrícolas e pecuárias, chefes de família ou maiores de 18 anos de ambos os sexos. Sócios contribuintes correspondem a produtores agrícolas da área que abrange a Casa do Povo, mesmo que não residam nela. Os sócios protetores são pessoas que contribuem voluntariamente para a constituição de receitas da Casa do Povo.
A 1 de Abril de 1972, segundo o jornal local Defesa de Arouca, a Comissão organizadora para uma Casa do Povo em Arouca era uma realidade, e anunciam que se irão iniciar trabalhos para a angariação de sócios. As freguesias que seriam contempladas por esta Casa do Povo foram as de Arouca, Burgo, Cabreiros, Canelas, Chave, Covêlo de Paivó, Escariz, Espiunca, Fermedo, Janarde, Mansores, Mato, Moldes, Rossas, Santa Eulália, Tropeço, Urrô e Várzea, ficando de fora as freguesias longínquas de Alvarenga e Albergaria das Cabras, assim denominada à época, hoje Albergaria da Serra.
A comissão organizadora era constituída por pessoas importantes na comunidade, sendo elas, o Engenheiro Álvaro de Brito Peres, Professor Ramiro Tavares da Costa Fernandes, António do Vale Quaresma, Augusto Portas de Magalhães, Agostinho Gomes Laranjeira e José Francisco de Pinho.
O percurso foi-se fazendo ao longo dos anos, sendo que este agrupamento folclórico sempre se preocupou com o saber estar em palco. Quase desde a fundação que houve preocupação em defender a etnografia e a memória das suas gentes.
Na década de 90 este grupo iniciou um trabalho com a Federação do Folclore Português, trabalho este que não ficou concluído na altura, e em 2013 a direção da associação decidiu iniciar um trabalho de mãos dadas à Federação do Folclore Português, na busca de trabalhar melhor a autenticidade do legado que nos foi deixado. A verdade é que o caminho foi-se fazendo, e com alicerces tão bons desde a fundação, o trabalho fez-se e no prazo de um ano esta Federação reconheceu o Rancho como Sócio Efetivo.
Em 2022 este grupo faz 50 anos de existência, e nada melhor do que comemorar com 1 ano de muitas atividades. Iniciamos esta jornada com um Festival de Folclore em outubro de 2021, com a participação do Rancho anfitrião e ainda como convidados o Grupo Folclórico da Casa do Povo de Sta Cruz do Bispo e ainda o Grupo Folclórico de Sta Marta de Portuzelo. Em março deu-se o primeiro encontro de cantares com a presença de 3 convidados, as Cantadeiras de Souto Redondo, o Grupo de Folclore Terras de Arões e as Cantadeiras do Vale do Neiva. A 9 de Abril o Orfeão Universitário do Porto presenteou os arouquenses com um grande espetáculo na Casa do Povo. A 23 de Abril convidamos as Associações do Município de Arouca a estarem presentes connosco onde obtivemos 13 associações em palco. A 1 de maio, aconteceu em Arouca um evento inédito. A Casa do Povo lançou o desafio aos grupos folclóricos associados da Federação do Folclore Português, da região do Douro Litoral, sul, centro e norte e ainda Beira Litoral Vouga e vareira. Este evento foi um sucesso, uma vez que conseguiu-se encher a Avenida 25 de Abril de grupos folclóricos desta vasta região. Foram cerca de 270 os participantes. Ainda em maio organizamos o Arraial de Folclore com a presença do Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca, o Grupo Folclórico de São Pedro da Cova, o Grupo Folclórico de Portomar (Mira), os Sargaceiros da Casa do Povo de Apúlia e o Rancho Típico de S. Mamede de Infesta.
Em julho decorreu nas instalações da Casa do Povo o Encontro de antigos componentes da coletividade, o qual também se demonstrou um sucesso pela adesão que teve. Em agosto o Festival de Folclore de Arouca na Praça Brandão de Vasconcelos, onde se encheu a praça de muita gente para assistir a um excelente espetáculo de folclore e etnografia com o Rancho da Casa, e ainda o Rancho Tradicional de Cinfães, o Rancho Folclórico do Bairro de Santarém, O Rancho Típico de Sta Maria da Reguenga, o Rancho Etnográfico Danças e Cantares de Santiago de Bougado e o Grupo Danças e Cantares do Clube Novo Banco - BESCLORE.
Após um grande ano de atividade resta terminar em grande Festa, e para isso no próximo dia 22 e 23 de outubro em Arouca irá ser celebrada a vida, celebrar aquilo que esta associação mais gosta de fazer, defender a memória das suas gentes de forma a que seja perpetuada no tempo estas tradições usos e costumes. No dia 22 será a eucaristia animada por este Rancho Folclórico pelas 18 horas na igreja do convento de Arouca. No dia 23 pelas 15 horas na Praça Brandão de Vasconcelos um Festival de Folclore intitulado "50 anos de história..." onde haverão surpresas, e ainda a participação de outros grupos convidados, serão eles, Rancho Típico de Esposade, Grupo Folclórico de Faro, Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega e ainda o Grupo Folclórico das Lavradeiras da Meadela.
Uma associação com 50 anos e cheia de vida, amor e dedicação. A Casa do Povo de Arouca orgulha-se do trabalho feito por este Rancho Folclórico que leva tão longe o nome da Associação e do Concelho de Arouca, por ser recebido e convidado para grandes festivais de Folclore Nacionais e Internacionais, atuando par a par com os melhores grupos nacionais.
É uma Casa cheia de vida, preparada para continuar este caminho da defesa e salvaguarda de um património que é nosso e que não podemos deixar morrer, porque um povo sem cultura é um povo sem alma, tal como diz o consagrado maestro Gustavo Dudamel. Fernando Brito 2022-11-05
 
Arouca

Domingo, 05 de Fevereiro de 2023

Serviço temporariamente indisponível!

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A Frase...

"Este projecto dá novas competências às pessoas que lá habitam a nível de alimentação, higiene e saúde"

Padre Luis Mário, em declarações ao RV, faz o balanço do "Bairros Saudáveis"

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