ANSELMO OLIVEIRA
 
O sonho
 
OPINIÃO | A CMA tenta encontrar diferendos para ofuscar o mérito do 'Arouca'
 
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Desde miúdo que sempre acompanhei o Arouca. Levado pelo mão do meu pai, lá ia eu ver os jogos ao Afonso Pinto de Magalhães, "o Campo do Arouca" e assim foi crescendo o amor pelo clube da minha terra. Ficava sempre do "lado da vila" e o Arouca parecia que só jogava pelo "lado da barreira". Muitas vezes, nem os ferros impediam que tentasse ver mais de perto o jogo. Eram os jogos "de faca e alguidar", um bairrismo que se acentuava nos jogos com o "Paiva". São recordações que jamais apagarei da memória e daquele amor à camisola que muitos jogadores tinham. Alguns dos que mais marcaram essa época já não estão entre nós.
Na minha infância, ver o Arouca nos nacionais era quase uma miragem, mas o certo é que lá conseguiu. Subiu, desceu e subiu, subiu, subiu... Numa dessa subidas, da terceira para a segunda perguntei a Carlos Pinho se era para ir até à primeira e ouvi: "Claro que sim!". Pensei que era algo dito no calor da festa ou um sonho que morava dentro daquele homem. O certo é que o Arouca chegou à primeira e até à
Europa. Algo que nunca imaginei, a ver os jogos no Afonso Pinto de Magalhães. Com a experiência que foi ganhando ao integrar direcções do Arouca, o actual presidente, foi tomando as decisões certas para levar o Arouca ao mais alto do patamar do futebol português.
Naturalmente, a festa foi grande quando o Arouca subiu à primeira liga e nem de outra forma poderia ser. O Arouca ia levar o nome do concelho a todo o país. Antes dos passadiços, já o Arouca andava na primeira liga e era a bandeira do concelho. Depois de 2015, de uma forma ou de outra, a CMA tentava encontrar diferendos para ofuscar o mérito do Arouca e dos seus dirigentes e reclamar para si a exclusividade da promoção do concelho.
Entretanto o Arouca desceu duas vezes seguidas. Muitos vaticinaram o fim. Muitos desanimaram, menos o homem que tinha o sonho de voltar a levar o Arouca à primeira. Durante a descidas não existiram grandes problemas. Os problemas só surgem quando o FCA está na primeira liga. Não querem dividir o protagonismo.
O episódio ocorrido recentemente em torno da utilização do Estádio Municipal, com um comunicado desnecessário da CMA nas redes sociais, obrigou o Arouca a responder. Esse comunicado da edilidade pode ter sido feito com dois intuitos: ainda mais protagonismo e virar os arouquenses contra o clube da sua terra. Se há um contrato é fazê-lo cumprir. Mas não esquecer que tem de ser cumprido pelas duas partes. O Arouca já fez obras avultadas "à sua conta" para poder competir. E o estádio devia estar preparado para o mais alto nível, segundo o mesmo contrato. A CMA até recusou a mediação da Liga para resolver o diferendo, recusando uma reunião com a mesma. Por aqui já dá para ver muita coisa. Se tivessem razão, certamente tinham forma legal para usar o parque de estacionamento. Porque não o fizeram?
Imposições ditatoriais não dão bom resultado. Quando se evita o diálogo para resolver certas situações, o fim nunca será o ideal. E neste caso é fácil de ver quem o evitou.
Depois, há os que defendem que o Arouca devia ter as suas próprias instalações para competir. Mas, os mesmos que dizem para o FCA construir um estádio, são os mesmos que defendem a instalação de um hotel no convento. Nesse caso, a empresa hoteleira devia construir de raiz e não usar edifícios públicos. Parece que são situações diferentes, mas não assim tanto.
Se o Arouca tomar a decisão de sair do concelho, certamente existirão câmaras que o receberão de braços abertos dado o retorno que um clube na primeira liga traz. Só em Arouca parece ser diferente. Nada pode ofuscar o investimento no turismo e aqueles prémios que todos sabemos como são atribuídos.
Não era hora de criar divisões. O futebol e o turismo podiam andar lado a lado porque até se complementam. Arouca merecia. Só o narcisismo tudo faz para criar divisões na ânsia de elevar o seu ego.
O Arouca na primeira era um sonho. O sonho de um homem que alguns querem transformar em pesadelo.
 
Arouca

Domingo, 05 de Fevereiro de 2023

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