JOSÉ CARLOS SILVA
 
O cadeado da vergonha
 
OPINIÃO | Os dois principais protagonistas não ficam bem na fotografia
 
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Nunca um simples cadeado mereceu tanta honra e destaque em Arouca como aconteceu na véspera da Feira das Colheitas.
Durante alguns dias, não se falava de outra coisa, e hoje em dia, com a amplificação das redes sociais, o "cadeado" foi alvo de todo o tipo de comentários por parte de uma plateia que assistia atónita aos desenvolvimentos de uma polémica que já vem de longe... de muito longe.
Então vamos aos factos desta polémica, que fez corar de vergonha os arouquenses e que serviu de chacota para muitas pessoas de fora do concelho ridicularizar uma terra de gente de bem.
O "cadeado da vergonha" foi apenas mais um triste episódio da relação de amor e ódio que tem existido entre o FC Arouca e a Câmara Municipal.
Esta relação começou em clima de grande paixão aquando da subida histórica do clube, pela primeira vez, ao escalão maior do futebol português. Mas rapidamente a relação azedou no famoso processo da bancada do estádio municipal que envolveu o anterior presidente da autarquia Artur Neves, o banqueiro Fernando Teles (EuroBic) e o presidente do clube Carlos Pinho.
Esse conturbado processo culminou com um momento nada edificante de uma altercação em plena via pública... Foi depois superado, voltando-se a uma relação entre as duas entidades em clima de "paz podre" que se foi arrastando no tempo, salpicada com alguns momentos de tensão entre as partes.
O principal diferendo que separa as duas estruturas prende-se com a "falta de apoio" da autarquia, segundo o clube, nomeadamente a realização de melhoramentos no estádio municipal impostos pela Liga de Clubes. A autarquia defende-se, alegando que apoia o desporto de formação do clube, mas que por imperativos da lei não pode apoiar a FCA, SDUQ, a sociedade privada que gere o futebol profissional.
Pois o verniz voltou novamente a estalar, com estrondo, na ante-câmara da maior festa de Arouca, com a colocação de um cadeado, por parte do clube, no portão de acesso ao parque de estacionamento do estádio, impedindo que a autarquia ali realizasse os concertos dos Xutos e Pontapés e de Fernando Daniel.
Hoje, a edil é Margarida Belém, mas a relação entre as duas instituições permanece tensa e a proporcionar "espectáculos" lamentáveis à opinião pública, que em nada abonam para a boa imagem do município que tanto investimento e energias tem dispendido para torná-lo atractivo e moderno junto do exterior.
Perante os últimos desenvolvimentos, é urgente que Margarida Belém (CMA) e Carlos Pinho (FCA) - estou certo de que ambos querem o melhor para Arouca - se reúnam e, olhos nos olhos, tentem chegar a um princípio de entendimento para uma situação que se encontra num ponto insustentável e em que os dois principais protagonistas não ficam bem na fotografia!...
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As eleições autárquicas realizaram-se há um ano!
Em Arouca, a paisagem autárquica sofreu algumas alterações: Margarida Belém renovou a maioria socialista mas teve alguns dissabores, perdeu votos em todas as freguesias e inclusive foi relegada para segundo lugar em cinco. O PS perdeu ainda a liderança da Assembleia Municipal.
Dos seis elementos eleitos para a vereação, quatro foram caras novas, duas do PS e duas da coligação de centro-direita.
Neste primeiro ano de mandato, assistimos a uma política de continuidade por parte do elenco socialista, tendo as sessões da Assembleia Municipal, de maioria centro-direita, sido o palco predilecto para a oposição "apertar" a maioria rosa.
As próximas eleições autárquicas estão aprazadas para o Outono de 2025, o último escrutínio para Margarida Belém e, talvez, a derradeira cartada da oposição conseguir o pleno autárquico... Câmara, Assembleia Municipal e maioria das Juntas de Freguesia.
Só falta o mais difícil, a Câmara Municipal que lhe escapa desde 1993!...
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Amílcar Fernandes, natural da freguesia de Chave, cabeça-de-lista à Assembleia Municipal pelo Partido Socialista, renunciou ao seu mandato de deputado municipal. Apenas compareceu à tomada de posse nesse órgão em Outubro de 2021, tendo na altura concorrido contra Pedro Vieira à presidência do órgão deliberativo, de onde saiu derrotado.
A partir dessa data nunca mais compareceu às sessões da Assembleia Municipal, apesar das juras de amor por Arouca feitas aquando da tomada de posse, tendo inclusivé, por momentos, ocupado a cadeira de presidente em substituição de Artur Neves, que tinha cessado funções, no período de votação para a presidência!...
Esta atitude não é positiva nem saudável para a democracia e para a dignificação dos órgãos políticos do poder local.
Que este triste desenlace sirva, pelo menos, de exemplo para próximas eleições autárquicas. Os eleitores merecem mais respeito e consideração por parte dos eleitos.
 
Arouca

Domingo, 05 de Fevereiro de 2023

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A Frase...

"Este projecto dá novas competências às pessoas que lá habitam a nível de alimentação, higiene e saúde"

Padre Luis Mário, em declarações ao RV, faz o balanço do "Bairros Saudáveis"

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