LUIS BRANDÃO
 
Navegamos de vaga em vaga
 
OPINIÃO | Sempre fomos um país de emigrantes
 
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Com a chegada do mês de agosto a vila de Arouca parece ganhar uma dinâmica que não conhece em nenhum outro mês do ano. Os turistas vêm aproveitar a natureza, visitar os passadiços ou espreitar a ponte suspensa. Mas, acima de tudo, muitos arouquenses regressam a casa para umas (sempre curtas) férias. Os nossos emigrantes regressam, visitam todos os que tiveram de aqui deixar quando partiram em busca de uma vida melhor e trazem uma dinâmica a todos lugares e freguesias do concelho.
É difícil encontrar uma família que não tenha alguém emigrado. Uns primeiros, nos anos 60, foram para escapar às difíceis condições económicas de Portugal. Uns outros terão partido quando fugiram de "assalto" à ida para uma guerra desnecessária. Muitos outros, por falta de oportunidades de emprego, foram mais recentemente. Todos foram na expectativa de uma vida melhor e tomaram essa decisão com arrojo e coragem.
Sempre fomos um país de emigrantes. E a eles devemos uma homenagem. Historicamente sempre foram uma parte da sociedade portuguesa que contribuiu significativamente para o equilíbrio da balança corrente portuguesa. Segundo o Pordata, com exceção do ano de 2001, nunca as remessas da emigração tinham representado tanto quanto em 2021: um total de 3,7 mil milhões de euros. Ou seja, o dinheiro enviado para Portugal por parte dos emigrantes portugueses no estrangeiro seria suficiente para construir 100 troços iguais ao da variante à EN326 que está em construção.
Os nossos emigrantes, hoje muito mais qualificados e, com o avanço dos meios de comunicação, cada vez mais próximos, são decisivos para a nossa estrutura social. Trazem dinheiro, conhecimento, inovação e mundividência.
Cantava Zeca Afonso, em Canto Moço:
Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nós vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegamos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nós vamos
À procura da manhã clara
Reconhecer o mérito de quem "pela praia do mar se foi" é valorizar o esforço de cada família que vê os seus filhos partirem em busca de uma vida melhor. Tratar de acolher bem quem "não soube de dor nem mágoa" é um dever de quem aqui ficou. E olhar o futuro para permitir que cada vez menos se emigre por necessidade e que se tenha, por cá, uma "manhã clara" é um encargo que cabe a todos. Não o fazendo, continuarem a navegar de vaga em vaga.

A ouvir: Spok Frevo Orquestra.
Património Imaterial da Humanidade desde 2012, o frevo é um estilo musical característico do estado do Pernambuco, no Brasil. O ritmo é solto e leve como bem pede o verão. A discografia da Spok Frevo Orquestra trata o frevo como ninguém. Deixar um qualquer CD a correr numa noite amena de verão, com um bom refresco, é garantia de uma noite memorável.

 
Arouca

Domingo, 27 de Novembro de 2022

Serviço temporariamente indisponível!

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A Frase...

"Quero ser sepultado com a farda dos Bombeiros Voluntários de Arouca"

Arlindo Soares, primeiro instrutor dos BVA, em entrevista ao RV

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