TEIXEIRA COELHO
 
Da crença à convicção para o testemunho
 
OPINIÃO | As palavras ditas, ouvidas e proclamadas na Missa ficam distantes da vida
 
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A pausa das férias pode ser ocasião para um olhar atento e corajoso sobre os acontecimentos do passado recente que todos nós vivemos quer no âmbito das nossas vidas pessoais, quer na vida da paróquia de que somos parte.
Somos "filhos de Deus", imagem e semelhança Sua impressa no mais profundo do nosso ser. Cada um de nós é uma peça de arte em desenvolvimento, cuja vida é um projecto aberto a ser mais, tanto na dimensão humana como na espiritual. Transportamos tesouros em vasos de barro, somos riqueza a redescobrir e a potenciar no quotidiano da vida pessoal, familiar, cívica ou paroquial. Habita-nos um apelo para horizontes sempre novos. Por isso, nos primórdios, nas primeiras comunidades da Igreja, os cristãos foram conhecidos e designados como "os da Via", a caminho, "em saída", no feliz apelo do Papa Francisco.
Não se coaduna com a nossa vocação de cristãos um estilo de vida cinzenta, satisfeita com a mediocridade de uma ignorância atávica, com subserviências clericais ou com o comodismo de quem segue de longe o que vai acontecendo como se nada fosse consigo.
Os tempos que nos cabe viver denunciam a incoerência daqueles que proclamam crenças que não se traduzam em convicções. E é isto que realmente acontece. A convicção determina decisões e hábitos de comportamento. Uma convicção implica e resulta necessariamente no facto de orientarmos o nosso comportamento de acordo com ela. Não falta quem admire as bem-aventuranças (crença), mas sem a coragem de conformar com elas a sua conduta (convicção).
Não me atrevo nem pretendo julgar o íntimo de ninguém.
Mas escapará a alguém o que verdadeiramente marca a vida das nossas paróquias? Tantas vezes oferecemos a imagem de uma comunidade de crentes sem convicções. Não fora assim e não viveríamos a nossa crença quase só numa fidelidade rotineira às tradições que herdámos. Nem suportaríamos situações que desvirtuam a imagem da Igreja de Cristo.
Por exemplo, não seriamos uma massa de cristãos que tolera que não se criem órgãos de participação efectiva nas decisões da comunidade paroquial. Um desafio: quem é capaz de referir uma decisão recente na vida paroquial que tenha sido apresentada, programada, discutida e decidida por órgãos representativos da paróquia, concretamente no Conselho Pastoral? Vem também a propósito a pergunta:
como estamos relativamente ao Caminho Sinodal?
Somos terreno abundante de contradições. Quando nos reunimos para a celebração da missa pronunciamos palavras e proclamamos gestos de fraternidade comprometida. Mas as palavras ditas, ouvidas e proclamadas ficam distantes da vida. Isto mesmo foi sentido recentemente aquando das comemorações da beatificação da Rainha Santa. Dentro da igreja, nem uma palavra sobre o assunto; fora da igreja, todos pudemos verificar a exuberância da memória civil do acontecimento. Parece que o que pretendemos quando vamos à missa é somente regressar a casa de consciência tranquilizada. Falta-nos a ousadia de convicções sólidas e assumidas no viver do dia a dia.
Centramos a dinâmica da vida da paróquia no cumprimento de tradições ancestrais que marcam a nossa identidade de cristãos. E bem. Mas se "somos filhos de uma história que há que guardar, somos também artesãos de uma história que há que construir. Não se trata de guardar cinzas, mas de reavivar o fogo que os antepassados atearam", palavras notáveis do Papa Francisco durante a recente visita de penitência ao Canadá.
Os tempos não vão propícios a grandes optimismos. É evidente a anemia que afecta o corpo da Igreja que somos nós, e afecta na cabeça, no tronco e nos membros. Reconhecer isto é urgente. É já abrir a porta ao Espírito que "pode suscitar destas pedras filhos de Abraão" (Mat. 3,9)
 
Arouca

Domingo, 27 de Novembro de 2022

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A Frase...

"Quero ser sepultado com a farda dos Bombeiros Voluntários de Arouca"

Arlindo Soares, primeiro instrutor dos BVA, em entrevista ao RV

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