LUIS BRANDÃO
 
Construir comunidade e cultura com a Recriação Histórica
 
OPINIÃO | Porque não tornar este evento bienal? Poderia ser intercalado com outros
 
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O evento ‘Arouca - História de Um Mosteiro', também chamado de Recriação Histórica, tem assumido nos últimos anos um papel marcante na atividade cultural do município. A aposta é relativamente recente e, além do cunho cultural que se deve realçar, tem o mérito de contornar a tipificação das inúmeras feiras medievais existentes. Este tipo de eventos, se dinamizados e realizados com o envolvimento da comunidade, têm uma capacidade ímpar de transmitir conhecimento, cultura e tradição. Por sua vez, o património material e imaterial de um território é crucial para a preservação da memória, sustentabilidade de uma comunidade e até para a promoção da inovação.
Neste caso concreto veja-se o exemplo da cidade milenar de Matera, em Itália. A também chamada Cidade das Pedras, património mundial da UNESCO, é um exemplo de dinamização e envolvimento da comunidade na preservação do património histórico material e imaterial. Em 2019 foi Capital Europeia da Cultura e, catalisando essa dinâmica, promoveu um projeto de valorização antropológica e cultural dos lugares, do património material e imaterial da cidade. O projeto olhou à recuperação da relação homem-ambiente-território, fazendo a harmonização destes três elementos e potenciando a relação do homem com os seus lugares, passado e história. À sua escala, o evento ‘Arouca - História de Um Mosteiro' pode ser um lugar de promoção e valorização do vasto património histórico do concelho.
A dinamização de um evento deste tipo, que olhe às raízes e impactos de uma estrutura (física e cultural) como o mosteiro, é essencial para a memória histórica do território. A recriação histórica tem a virtude de já ser produzida com o envolvimento da comunidade, em especial das associações concelhias. O modelo atual tem trazido uma visão da história e do impacto do mosteiro nas gentes de Arouca, contudo, será possível fazer mais com o mesmo evento. Para isso é necessário que o envolvimento da comunidade fique bem além de uma perspetiva quase figurativa ou de assistência. As associações precisam ser chamadas a participar com um esforço proporcional ao ganho social, assegurando educação social e indo além do envolvimento cénico. Necessitamos continuar a promover o envolvimento de associações e população no evento, vincar o rigor histórico e marcar o evento o mais possível como importante meio de difusão cultural.
Por mérito de quem a concebeu e dinamiza, a recriação histórica não é (nem deve ser) mais uma feirinha. O evento deve seguir com a definição temática, porém precisa ser acompanhado de uma promoção e difusão cuidada dos conteúdos, em particular nas escolas. Por cada edição é necessário dinamizar espaços de comunicação bidirecionais - palestras, debates e colóquios - que façam a comunicação e o envolvimento social com a comunidade. E este envolvimento exige tempo e disponibilidade intelectual. Assim, porque não tornar este evento bienal? A calendarização poderia ser intercalada com outros eventos também bienais (como, por exemplo, o Festival de Artes de Rua de Arouca). Sobraria um
espaço de trabalho de dois anos, a ser utilizado para garantir envolvimento social, preparação de conteúdos, contraste entre eventos, menor cansaço dos intervenientes, maior projeção por edição e difusão coletiva.

A explorar: Projeto SHS (Centro de Estudos Naturais e Ambiente - CERENA) A iniciativa SHS - Soil health surrounding former mining areas: characterization, risk analysis, and intervention envolve vários institutos de investigação científica com finalidade de caracterização dos resíduos mineiros, dos solos e das águas afetados pelas antigas minas de Regoufe e de Pejão. Para lá da componente geológica, este projeto tem uma importante vertente de preservação do património imaterial, com a sistematização sociológica das perceções de risco ambiental e de saúde relativas às minas, bem como a recolha de memórias e histórias associadas aos episódios de exploração mineira.

 
Arouca

Domingo, 25 de Setembro de 2022

Serviço temporariamente indisponível!

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A Frase...

"A maior casa monástica era a de Arouca, para onde se deslocavam inúmeras jovens da alta linhagem do reino"

Helena Cruz Coelho, na apresentação do Diplomatário do Mosteiro de Arouca

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