TEIXEIRA COELHO
 
Tenho andado a falar sozinho?
 
OPINIÃO | Vou descobrindo uma congregação de gente religiosa, cumpridora, tradicionalista, generosa
 
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RODA VIVA tem acolhido e divulgado breves reflexões minhas subordinadas à rubrica OUTROS HORIZONTES. Assalta-me, por vezes, a dúvida sobre se estas breves reflexões têm tido receptores interessados. É que, ao propor a sua divulgação, dirijo-as a um público leitor que não sei bem se
não existirá apenas no meu imaginário.
Diz a pedagogia que, para ensinar latim ao João, é necessário antes de tudo saber latim, depois conhecer o João e finalmente encontrar a estratégia pedagógica adequada para ensinar o latim a este João. É claro que nestas reflexões eu não pretendo ensinar nada a ninguém. Eu é que, ao reflectir, aprofundo, actualizo e consolido percepções minhas de uma realidade objectiva. Mas sempre me envolvo num acto de comunicação. Mas com quem? Com quem existe apenas no meu imaginário? Aqui é que bate o ponto.
De facto, eu vou descobrindo aos poucos a realidade em que estou inserido desde não há muito. E esta descoberta tem sido marcada por algumas surpresas. Assalta-me a sensação de ter andado a falar sozinho.
Eu configuro, eu tipifico os meus destinatários como gente de boa vontade, gente com sentido crítico que aposta num futuro merecedor daquilo que no passado nos foi transmitido e deva ser incorporado na construção de um futuro mais justo, mais livre, mais libertador. Eu configuro, eu tipifico os meus destinatários como cristãos de raiz, cristãos de curriculum, porventura, mas cristãos em construção, abertos ao Futuro que é nossa tarefa ir fazendo surgir das passadas hesitantes do nosso presente. Eu manifesto e frequentemente denuncio com quem ando e a quem sigo, que objectivos me animam. Situo-me na escuta da Palavra de Deus e também na incarnação e actualização dessa Palavra no nosso mundo pelo Papa Francisco, na peugada do Vaticano II. E manifesto-o com convicção e esperança, com coragem e determinação.
Ora, vou descobrindo um cristianismo sociológico, de matriz ainda tridentina. "O concílio de que alguns pastores mais se lembram é o de Trento (1545-1563)... não estou a brincar" - lamenta o Papa Francisco. Que acrescenta: "O restauracionismo veio para amordaçar o Vaticano II". Ora vou descobrindo uma congregação de gente religiosa, cumpridora, tradicionalista, generosa, em que não faltam cristãos de grande generosidade, disponibilidade e competência. Congregação que, no entanto, não tem aquela coesão que resulta naturalmente de uma liderança competente e da abertura à Palavra de Deus, que faz de cada cristão "uma nova criatura" numa comunidade de baptizados "renovados pela transformação do Espírito que anima a nossa mente" (Ef.4.23)
Ocorre-me, por ser sintomático, o que se passa entre nós com o Caminho Sinodal, processo dinâmico que não termina nunca, pedra de toque para percebermos se somos uma verdadeira comunidade ou apenas uma congregação de gente cheia de boa vontade, muito religiosa, porventura, com curriculum cristão, mas acomodada em crenças, hábitos e rotinas resultantes de uma fé individualista e muito pouco esclarecida.
Não é este o perfil do destinatário que prefiguro ao tecer as reflexões que tenho enviado para RODA VIVA.
O Caminho Sinodal é um alerta para que repensemos o papel do cristianismo no mundo, para que promovamos a participação e a corresponsabilidade dentro das estruturas católicas. Em que fase estamos neste percurso do Caminho Sinodal?
A convicção que continuará a mover-me é comparável à simpatia e à disponibilidade do acolhimento de RODA VIVA e, por isso, agradecido, insistirei. Sem outra pretensão que não seja compartilhar algo que tenho e vivo como urgente no âmbito das minhas convicções de cristão e membro da Igreja Católica.
Ah! meu grande Santo António, quão sábio te mostraste quando te viraste a pregar aos peixes!
 
Arouca

Domingo, 25 de Setembro de 2022

Serviço temporariamente indisponível!

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A Frase...

"A maior casa monástica era a de Arouca, para onde se deslocavam inúmeras jovens da alta linhagem do reino"

Helena Cruz Coelho, na apresentação do Diplomatário do Mosteiro de Arouca

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