IVO BRANDÃO
 
Que regionalização?
 
OPINIÃO | Contentamo-nos com a espera que a (má) fruta apodreça e caia
 
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O tempo comentário de Susana Peralta e Miguel Poiares Maduro, no Telejornal de domingo passado, poderia ter sido igual a qualquer outro momento do género. Mas não foi. E não foi, apenas porque os dois comentadores conseguiram introduzir no debate sobre a regionalização o pequeno detalhe que faz toda a diferença.
Antes de revelar o ‘pequeno detalhe', vale a pena reflectirmos sobre o porquê de só agora estarmos a falar sobre este assunto com estes óculos. Nós, portugueses, parecemos ter tendência para duas coisas. Uma, é o ‘irmos na onda', e sermos facilmente levados pelas correntes de pensamento, ou por políticos que (facilmente) nos consigam ludibriar. Não precisamos de recuar muito tempo para encontrarmos um primeiro-ministro (com letra minúscula, de propósito) que foi eleito muito graças ao facto de o seu oponente ter perdido as eleições antes mesmo da campanha eleitoral, mas também com base numa mensagem, com cartazes espalhados por todo o país, anunciando a criação de 150 mil empregos. O resto da história, já sabemos. Outra, é o convivermos bem com decisões que têm impacto decisivo nas nossas vidas, mas para as quais não somos tidos nem achados. O mesmo primeiro-ministro dos 150 mil empregos, nunca criados, aprovou, nas nossas costas, um acordo ortográfico que nunca reivindicámos, e que mais não fez do que lançar um pequeno grande caos no uso da nossa língua mãe.
Em ambos os casos, fomos/somos permissivos, enquanto povo. Contentamo-nos com a espera que a (má) fruta apodreça e caia, naturalmente, do ramo da árvore que nos limitamos a podar de quatro em quatro anos, no mínimo. Não vem à discussão o facto de aprendermos, ou não, com estas rasteiras que nos vão passando. O que é facto é que, em muitos assuntos que nos dizem respeito e que têm impacto no nosso dia-a-dia, continuamos a discutir com base nos argumentos que nos vão dando aqui e ali, sem questionarmos outras possibilidades ou outras formas de olhar para o problema, e continuamos a conviver bem com decisões tomadas pelos nossos representantes sem que os tenhamos mandatado para tal.
E é aqui que entra o ‘ingrediente secreto' que Susana Peralta e Miguel Poiares Maduro revelaram, no passado domingo, na RTP, promovendo um verdadeiro serviço público em poucos segundos. De repente, não se sabe bem porquê, toda a gente achou que seria importante debatermos a regionalização e produzirmos decisões sobre o assunto. Mas a questão central é que estamos a discutir algo em abstracto. Que regionalização têm para nos propor? Com que divisão territorial? Com que estrutura administrativa?
Com que tipo de diálogo ou articulação com as entidades públicas que já servem as populações? E muitas outras perguntas poderíamos acrescentar. Que regionalização estamos, de facto, a debater?
Não serve o argumento de que temos de lutar contra o centralismo de Lisboa. Ele existe, de facto, mas se a luta contra ele é para ser feita pela regionalização, convém sabermos concretamente ao que vamos e o que temos a contrapor, sob pena de mais não fazermos do que confirmar que assim é que está bem, porque não há alternativa consistente. Não serve, também, apenas o argumento da descentralização de competências, que não sabemos muito bem como está a ser e como irá continuar a ser feita.
Todavia, e estando algo já no terreno, fará sentido esperar que se desenvolva e ganhe consistência. Devemos uma oportunidade à descentralização, desde logo porque está em curso, e porque, apesar de alguns maus resultados, tem também virtudes que vale a pena manter. Depois sim, valerá a pena falarmos sobre uma eventual regionalização. Quando soubermos o que têm para nos propor os nossos representantes. E aí, sim, debatermos sobre que regionalização queremos (ou não), e não uma questão em abstracto, que pode ser tudo, como pode ser nada.
 
Arouca

Domingo, 25 de Setembro de 2022

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A Frase...

"A maior casa monástica era a de Arouca, para onde se deslocavam inúmeras jovens da alta linhagem do reino"

Helena Cruz Coelho, na apresentação do Diplomatário do Mosteiro de Arouca

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