CARLOS BARBOSA
 
Povo providencial
 
OPINIÃO | Tenhamos a obstinação de aceitar o nosso sucesso comum
 
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Somos um povo viciado em seres providenciais. Gostamos de medir o sucesso e só o julgamos válido quando efetivamente o conseguimos atribuir a alguém. Para nós como povo, o sucesso sem um protagonista não é sucesso. Ele tem que ter um actor.
Há inúmeros casos de providencialismo quer na história mais longínqua quer na mais recente. Do Duque de Saldanha a Salazar ou mesmo de Mário Soares a Cavaco Silva. São inúmeros os caos da criação do Mito da Personalidade.
Somos inaptos ou receosos em atribuir o sucesso ao coletivo. Somos um povo que historicamente tem muita dificuldade em sobrevalorizar-se ou no mínimo em atribuir o real valor das suas inúmeras competências orgânicas ou culturais.
Tirando esporádicos momentos de sucessos desportivos transnacionais, temos dificuldade em refletir sobre a nossa essência vencedora.
A esse propósito, focar-me-ia nos sucessos que temos tido nos últimos 18 meses e no que de muito positivo conseguimos como povo. Muitos dirão que tudo se deve a alguma entidade ou ser providencial, todavia prefiro que esse foco se desloque para o que gregariamente conseguimos como povo.
Quando a Europa do Sul chorava em pânico os catastróficos scores da pandemia que se registavam em Itália e depois em Espanha, nós, povo gregário, solidário e confiante, acatávamos disciplinarmente o que as autoridades sanitárias e os cientistas nos aconselhavam. Tivemos sucesso.
Esse eu atribuo ao povo e não a qualquer figura providencial. Tal voltou a repetir-se. Nos dias que correm, novo sucesso aparece. Consistente, irrepreensível e mais que tudo, lapidar.
Estamos na liderança do processo de vacinação no plano internacional.
Obviamente que existe mérito no processo logístico, comunicacional e mesmo na forma verdadeiramente pragmática como tudo se reveste de simplicidade. Simplicidade, mas sem facilitismo.
É inegável a forma honrosa e muito leal como o vice-almirante e a sua equipa têm liderado o dito processo. Todavia, o sucesso, eu atribuo indubitavelmente ao povo.
É uma verdade quase insofismável. Os nossos antepassados conheciam bem de perto a enorme importância que tem o coletivo, o gregário, o solidário.
Raramente idolatravam indivíduos. Apenas idolatravam os deuses da natureza!
Não deixo de me emocionar com a forma como vi nas últimas semanas os jovens, na sua esmagadora maioria, dispondo-se a contribuir para o bem comum.
Não posso deixar de me emocionar com o que repetidamente ouço dos mais novos, quando referem que após serem vacinados se sentem mais tranquilos pelos pais e pelos avós.
Isto é algo que está na nossa matriz de português. Um povo que sendo latino se preocupa com os seus, mais do que tudo. Esta é a essência de todo o nosso sucesso. Não necessitamos de procurar seres providenciais.
Nós somos o verdadeiro povo providencial.
Quando bem liderados sabemos que o sucesso vem.
É urgente, ou pelo menos muito importante que, como povo, perante múltiplas provações pelas quais vamos passando, tenhamos a obstinação de aceitar o nosso sucesso comum.
Que não nos falta a coragem de acreditar que o sucesso que vivemos, foi por nós moldado.
 
Arouca

Sábado, 23 de Outubro de 2021

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