JOSÉ CARLOS SILVA
 
Hotel, Colheitas e 'Autárquicas'
 
OPINIÃO | A criação deste equipamento hoteleiro no 'ex-líbris' do município não é consensual nem pacífica junto da opinião pública
 
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O mês de Setembro é por tradição bastante agitado em Arouca. Para além do regresso ao trabalho de muitos arouquenses e do início das aulas para milhares de alunos, é o mês de duas das mais emblemáticas festividades do município: a Senhora da Mó e a Feira das Colheitas. Este ano ainda vamos ter eleições autárquicas no dia 26!
Se o regresso ao trabalho e às aulas são já uma realidade, as duas festividades, por força ainda da pandemia de covid-19, não se vão realizar pelo segundo ano consecutivo.
Segundo anuncia a autarquia, apenas vamos ter algumas iniciativas pontuais associadas ao grande certame concelhio, as "Colheitas", nomeadamente os concursos de vinho verde e de broa caseira.
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O início do mês ficou também marcado pela apresentação do futuro hotel de cinco estrelas a instalar na ala sul do Convento de Arouca. É que, legalmente, o promotor tinha até ao final de Setembro de 2021 de avançar com a empreitada, sob pena da sua candidatura ao programa REVIVE ficar anulada e por consequência perder acesso à choruda comparticipação financeira dos fundos comunitários [de quase
dois milhões de euros].
A criação deste equipamento hoteleiro no ex-líbris do município não é consensual nem pacífica junto da opinião pública de Arouca, dada a secular e umbilical ligação entre a população e aquele majestoso edifício público. A partir de 2023 (data anunciada da conclusão das obras), uma parte considerável do Mosteiro irá ficar afecta a um projecto turístico privado.
Pessoalmente, e dada a minha ligação pessoal que desde tenra idade tenho pelo Convento, situação comum à grande maioria dos arouquenses, causa-me algum desconforto e até desalento ver aquele espaço público de referência, no coração da vila de Arouca, ser entregue a interesses privados.
Considero que haviam outras opções mais criativas e de melhor utilização pública para os cidadãos, do que a solução encontrada.
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Estamos na recta final para o grande dia das eleições autárquicas, com a campanha eleitoral já a todo vapor, e as diferentes forças partidárias envolvidas a tentar conquistar o maior número de votos junto do eleitorado.
Várias observações podem ser feitas após a análise das listas e das propostas que vem sendo anunciadas pelos diferentes partidos e actores políticos.
Margarida Belém recandidata-se a novo mandato pelo Partido Socialista que já lidera a autarquia desde 1993, apresenta várias novidades na sua equipa: a primeira e mais notória é a ausência em lugar elegível de representantes de Alvarenga e do chamado "fundo do concelho", situação nova quando comparada com os elencos apresentados por Zola e Neves. O núcleo-duro da equipa PS é proveniente da sede-do-
concelho e de freguesia limítrofes (Santa Eulália e Moldes).
Foi certamente um risco assumido pela candidata. Relativamente às apostas eleitorais, a saúde e a habitação estarão no topo das prioridades, depois da forte aposta no turismo na última década.
A coligação "Nós os Arouquenses", constituída pelo PSD/CDS/PPM e IL, liderada por Vítor Carvalho, apresenta um executivo com várias caras novas no mundo da política autárquica, para tentar mostrar uma alternativa válida ao poder instituído. Nos quatro primeiros lugares elegíveis encontram-se representantes das três centralidades do concelho de Arouca. Bandeiras eleitorais como a redução do preço da factura da água e uma política de fixação dos jovens no território arouquense têm sido amplamente difundida pela coligação de centro-direita.
A avaliar pelos últimos resultados eleitorais, o voto dos arouquenses vai centrar-se sobretudo nestes dois blocos políticos, apesar do esforço e do sentido de cidadania demonstrados sobretudo pela CDU e pelo Ergue-te.
Julgo que o resultado eleitoral será de 4-3, para qualquer um dos lados, o que irá proporcionar, pela primeira vez na história democrática em Arouca, um elenco camarário em que as mulheres estarão em maioria, uma vez que ambos as equipas apresentam-se com duas mulheres nos três primeiros nomes das respectivas listas.
Penso também que o PS parte para o sprint final com ligeiro avanço, porque está no poder há muitos anos e existem sempre grandes cumplicidades e clientelas estabelecidas, mas também acusa já um longo desgaste político, que a coligação "Nós os Arouquenses" vai certamente explorar.
Parafraseando um antigo jogador do FC Porto, "prognósticos só no final do jogo"!...
Tem a derradeira palavra (o voto) os eleitores arouquenses no dia 26!...
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Por uma questão ética e deontológica, o RODA VIVA decidiu não publicar nesta edição, que coincide com o período oficial de campanha eleitoral, artigos de opinião de colaboradores do jornal que fazem parte das listas autárquicas aos vários órgãos municipais.
Esta opção editorial foi previamente comunicada aos diversos autores.

(texto publicado na edição impressa do RODA VIVA jornal de 2021.09.16)
 
Arouca

Sábado, 23 de Outubro de 2021

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A Frase...

"Contarei com todas as forças políticas que se apresentaram a votos"

Margarida Belém, presidente da CMA reeleita

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