ARMANDO ZOLA
 
A ver o comboio passar?
 
OPINIÃO | Arouca não pode ficar, nem deixar-se ficar, à margem
 
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A vida tem de continuar, tem de preparar-se para o futuro, mesmo quando tanto nos tolhe esse minúsculo e repulsivo ser invisível que não se sabe até quando vai monopolizar as atenções do Mundo. Resistindo-lhe, não abdicarei de falar de Arouca, e do seu futuro, neste momento crucial da vida nacional.
Escrevi aqui, há dois meses, parafraseando o deputado Telmo Correia, que aí vem "uma pipa de massa" (o Primeiro-Ministro, não sei com que sentido, chama-lhe "bazuca") para salvar a economia e promover o desenvolvimento do País. Arouca é Portugal, não é só paisagem. E Portugal não é só Lisboa. Arouca não pode ficar, nem deixar-se ficar, à margem desse esforço de salvação da economia e de promoção do desenvolvimento.
De terra completamente desconhecida e ignorada da Capital, Arouca foi-se tornando, ao longo dos anos, mais conhecida e considerada por quem governa. Mas é sobretudo conhecida pelas suas paisagens magníficas, pela excelente gastronomia, pelos ancestrais doces conventuais, pelos desportos de águas bravas, pelas pedras parideiras, pelas trilobites gigantes, pelos recentes passadiços do Paiva, pela ponte estreita (ainda mais nestes tempos), extensa (a mais), suspensa (nos sentidos múltiplos do termo) e de mais expensas, e a quem só assim a conhece, porque, sobretudo, também só assim se dá a conhecer, parece ser uma terra a todos os títulos invejável, onde se vive o melhor dos mundos.
Arouca é bem menos conhecida, parece ter pejo de se dar a conhecer, em especial às capitais, à do Norte e à do País, como terra em que muita gente subsiste, resistindo em lugares ermos de quase tudo despojados, como a terra economicamente menos desenvolvida e de mais baixo poder de compra, a grande distância das demais, de todo o Entre Douro e Vouga e de toda a Área Metropolitana do Porto (AMP) em que se insere. E isto é preciso que, sem pejo nem tibiezas, se diga e que se torne conhecido de quem governa em Lisboa e de quem decide na AMP, para que assim deixe de ser.
Vem uma "pipa de massa". É preciso que não se esgote nos sítios do costume, cavando ainda mais fundas as assimetrias entre o Portugal desenvolvido e o Portugal esquecido.
Afirma António Costa e Silva, o consultor do Governo para a definição da estratégia de retoma económica do País no período pós-pandémico, que o primeiro objectivo é "salvar a economia e proteger o emprego", sem esquecer no seu plano de apoio ao desenvolvimento "um grande programa para as pequenas e médias empresas". De pequenas e médias empresas, forçadas a superar-se e a superar, dia a dia, acrescidas dificuldades, e de emprego, sobretudo por via disso com menores remunerações, é constituído o tecido económico de Arouca. Não ter isso em conta no esforço pela retoma, mais que injustiça, é atentado de lesa terras e populações desfavorecidas.
Diz também Costa e Silva que, com o papel do Estado revalorizado, se deve lançar mão de vasto investimento público para adequada ligação ferroviária a todas as capitais de distrito. Mas, se for só isso, terras desfavorecidas como Arouca, mais desfavorecidas ficarão, porque não terão comboio, nem vias aceitáveis para a ele chegar. Diz, todavia, também o Professor Costa e Silva, ao contrário do que disseram, há já décadas, outros Professores, de má memória, que é preciso "Apostar nas infraestruturas físicas, modernizá-las todas"... "qualificar a rede viária." É, para além do mais, também disso que Arouca precisa para desenvolver a sua economia, para elevar os níveis de rendimento da sua população: de uma ajustada e completa via de ligação aos grandes eixos viários do litoral. E isso tem de exigir-se agora, porque há oportunidades que surgem e dificilmente se repetem. Ficar de braços caídos ou deslizar, sem fazer ondas, pelos meandros do poder, à espera que a benesse caia do Céu, será condenar Arouca a ter de ver, lá longe, novo, sem a ele poder chegar, o "comboio a passar".
 
Arouca

Quinta, 21 de Janeiro de 2021

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A Frase...

"Os arouquenses estão preocupados com o preço da água, tal como eu estou"

Margarida Belém, presidente da CMA, em entrevista ao RV

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