CARLOS BARBOSA
 
Ser gregário
 
OPINIÃO | A única constante da vida é que tudo muda
 
  Outras acções...
 Enviar a um amigo
 sugerir site
Seguramente que o homem se tornou hegemónico e mesmo dominador, como espécie, devido à sua capacidade de ser gregário.
O instinto gregário é definido como a tendência que induz os animais e obviamente o homem, a juntarem-se de forma a conseguirem proteção e segurança. É, pois, uma estratégia que visa a subsistência como espécie.
Este instinto acompanha a subsistência da nossa espécie de tal forma que se tem exponenciado em momentos de maior provação.
Vários são os relatos em que essa capacidade, ao longo da história, se reveste de imensa valoração, atingindo um patamar de tal forma elevado, que induz os elementos do grupo a perderem a sua própria identidade.
Essa característica, não exclusiva dos homens, transporta em muitas ocasiões, um perturbante paradoxo.
Por um lado, esse instinto tem contornos de robusta solidariedade, quando os elementos mais fracos e desvalorizados são protegidos pelos restantes membros, que os levam a serem colocados no mesmo patamar valorativo de todos os outros. É o lado nobre do gregarismo.
Todavia, muitas são as vezes que, em determinados contextos e em determinados grupos, esse gregarismo leva a uma total alienação da identidade, promovendo um comportamento de unidade tal, que deixam de existir vozes discordantes. Tal acontece com lideranças temidas ou simplesmente manipuladoras. Isso é recorrente em muitos partidos políticos e empresas, cujo comportamento transporta uma crónica de morte anunciada. Um fim a curto prazo.
Pois, onde não existe a multiplicidade de pensamento, afunila e torna míope a própria liderança. Aqui, pensar diferente simplesmente significa não estar com o grupo. Significa não ser gregário.
Mas centremo-nos apenas no lado mais nobre do gregarismo.
Como seria importante que cada vez mais pudéssemos ter menos "eus" e mais "nós", como agora se diz.
Que bom seria que, de forma consistente, pudéssemos ter políticas mais gregárias. Políticas que permitissem ter a mesma valoração, aqueles que já deram, como aqueles que ainda têm para dar.
As notícias mais recentes da pandemia que vivemos, têm exposto a terrível realidade que é o esvaziar desse instinto gregário.
Refiro-me ao abandono e desvalorização dos mais idosos e indefesos. Bem sei que existem nobres exceções, em que os resultados refletem essa capacidade, vontade de ajudar e de proteger. Felizmente Face ao que frequentemente sentimos nas várias interações diárias, somos recorrentemente levados a questionar: Se eu não estiver por mim, quem estará por mim?
Porém, é importante que tenhamos a capacidade de substituir essa questão por uma outra, muito mais inquietante, mas contudo mais contributiva; Se eu só estiver por mim, quem serei eu?
Se sentir que quem nos rodeia não corresponde ao ideal de humanismo que preconizo, tendo a acreditar que o problema não reside na generalidade do ser humano. Pois, continuam a existir seres humanos dignos do verdadeiro humanismo.
A solução pode estar em cada um de nós poder influenciar positivamente essa dimensão de humanismo.
Acreditem, pois, na regeneração da humanidade. Sempre que presenciamos o fim de um período da história do mundo, como quer parecer o que agora vivemos, assistimos simultaneamente à germinação de um novo mundo.
Necessitamos de nos dissociar para poder compreender essa mudança.
A única constante da vida é que tudo muda. Até a dimensão e o foco do nosso instinto gregário que nos trouxe até aqui.
 
Arouca

Quinta, 21 de Janeiro de 2021

Actual
Temp: 10º
Vento: WSW a 5 km/h
Precip: 0.3 mm
Chuva
Sex
T 8º
V 8 km/h
Sáb
T 12º
V 8 km/h
PUB.
PUB.
 
 
A Frase...

"Os arouquenses estão preocupados com o preço da água, tal como eu estou"

Margarida Belém, presidente da CMA, em entrevista ao RV

EDIÇÃO IMPRESSA

RSS Adicione ao Google Adicione ao NetVibes Adicione ao Yahoo!
PUB.
Desenvolvido por Hugo Valente | Powered By xSitev2p | Design By Coisas da Web | 33 visitantes online