ANDRÉ VILAR
 
Redes sociais, pandemia e Arouca
 
OPINIÃO | O debate quando feito de forma civilizada e racional faz-nos evoluir
 
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Desde que se internacionalizou, o Facebook passou a estar acessível a todos. Atualmente, para emitir uma opinião pública, escrever um desabafo ou prestar uma homenagem, basta aceder à internet.
O "direito à indignação" generalizou-se desde então e o acesso rápido à informação fez com que todos se começassem a achar entendidos sobre tudo e sobre cada coisa.
Quantas vezes acreditamos em notícias falsas ou as partilhamos sem verificar as fontes? Quantas vezes julgamos sem perceber o contexto? Quantas vezes, na ânsia de sermos os primeiros a informar, desinformamos?
Em Arouca, as redes sociais vieram substituir os antigos lavadouros públicos, fazendo-o com distinção. A vantagem, essa, é que agora não é necessário sair de casa para debater "os grandes problemas da Humanidade".
Em tempos de pandemia, a página de Facebook do Município de Arouca viu "crescer que nem cogumelos", epidemiologistas de teclado, profetas do fim do mundo e da desgraça e desgraçados que culpam tudo e todos pelo desenrolar dos acontecimentos.
De repente, a culpa deixou de ser de um vírus que assola, desde a viragem do ano, o país e o mundo e passou a ser da proteção civil municipal, do turismo e das mais culpadas tábuas de madeira da história da civilização.
Na verdade, tudo o que acontece de mal em Arouca parece, aos olhos dos visionários comentadores das redes sociais, culpa dos Passadiços do Paiva. (Diz, quem os conhece e valoriza, que estão inocentes).
Chegará o dia em que os mensageiros do infortúnio terão a coragem de falar cara a cara com aqueles que tiveram o azar de ser os seus "ódios de estimação". Nesse dia não terão, certamente, a bravura para o fazer, nem prevalecerá a raiva que mostram atrás de um computador. Pois a ousadia confunde-se rapidamente com o seu oposto e, nestas situações, reina a covardia.
De ressaltar que não faltam meios para conversar, apresentar o que se considera que está mal e apresentar propostas de melhoria a quem conduz os desígnios do município.
O debate quando feito de forma civilizada e racional faz-nos evoluir enquanto sociedade. Em contrapartida, toda e qualquer argumentação que recorra aos insultos à integridade e honradez dos pares, são inadmissíveis e totalmente repudiáveis. A liberalização do acesso às redes sociais não
pode anular a máxima que afirma que "a nossa liberdade termina, quando começa a liberdade do outro".
Não sou, nem estou contra a liberdade de opinião e participação, na medida em que sou defensor dos valores de abril. Sou, por isso, a favor de uma participação cívica consciente, conhecedora e que seja sobretudo enriquecedora do debate público e contribua para o bem comum.
No que à pandemia diz respeito, espera-se agora a rápida recuperação daqueles a quem o vírus "bateu à porta". Enquanto isso, resta-nos agradecer a quem cuida, a quem trabalha, a quem pensa em soluções e não apenas às mais altas divindades.
Urge afirmar que ninguém faria melhor no combate a esta pandemia que atingiu (também) Arouca. É necessário reconhecer o bom trabalho na gestão de crise, onde se uniram esforços, se trabalhou em rede e se agiu com cautela e sem circo mediático, como aconteceu noutros municípios da região.
Não é tempo para aproveitamento político nem para jogos de interesse. A tirada de ilações deve ser feita a seu tempo e em local próprio. Agora, é de saúde pública que se trata.
Até chegar a altura dessa análise, cumpramos as regras de distanciamento social e etiqueta respiratória, agarremo-nos à crença e à esperança (se for o caso) e sobretudo saibamos viver em comunidade.
Estimado leitor, pode acreditar que não é difícil ler antes de partilhar, pensar antes de comentar e informar-se antes de julgar.

PS: Este artigo foi escrito com as mãos desinfetadas.

 
Arouca

Quinta, 21 de Janeiro de 2021

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"Os arouquenses estão preocupados com o preço da água, tal como eu estou"

Margarida Belém, presidente da CMA, em entrevista ao RV

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