PEDRO QUARESMA
 
Biomassa, potencial ou um mal menor?
 
OPINIÃO | Estamos a retirar nutrientes que as árvores necessitam para crescerem
 
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As alterações climáticas, a substituição dos combustíveis fósseis e os objectivos de descarbonização põem na ordem do dia a utilização da biomassa. Mas o que se entende por biomassa? Por biomassa entende-se toda a quantidade total de matéria viva existente num determinado ecossistema. Do
ponto de vista da utilização energética, de uma forma simplista, entendem-se todos os materiais resultantes da actividade agrícola e agro-alimentar, biomassa florestal residual e a resultante de culturas energéticas dedicadas.
Com a reformulação do decreto-lei n.º 64/2017, de 12 de Junho, em 2019, foi definido um regime especial e extraordinário para a instalação e exploração de centrais de biomassa pelos municípios ou comunidades intermunicipais. O objectivo fundamental será, segundo essa legislação, a defesa da floresta, do ordenamento e preservação florestal e do combate aos incêndios. Sendo assim, ajudarão as centrais de biomassa a preservar a nossa floresta? Tenho sérias dúvidas e penso que será exactamente
o oposto. Acenam com o pagamento de subprodutos da limpeza da floresta para a justificação da sua instalação quando nenhuma das que existem actualmente no País queima matos. Queimam sim, restos da exploração florestal, maioritariamente de espécies de rápido crescimento. Nem nunca vão queimar matos. Aliás, gerou-se grande polémica sobre algumas centrais de biomassa que estão a queimar madeira, que poderia ser usada para fins mais nobres, para gerar energia elétrica. Estamos a financiar centrais de biomassa, que têm eficiência elétrica baixa e são responsáveis pelo retorno à atmosfera de cerca de 70% do CO2 armazenado nas plantas e floresta. A energia térmica gerada sob a forma de calor é completamente desperdiçada. Com a justificação de promover o ordenamento da floresta? Não creio!
Com a instalação destas centrais de biomassa estamos a assumir que estamos satisfeitos com a floresta que temos. Uma vez que para a aprovação das centrais precisam de um mapeamento da quantidade de biomassa disponível, será com esses valores que as centrais serão aprovadas e que terão de trabalhar numa óptica de viabilidade a médio / longo prazo. Uma vez que todos sabemos que a maior quantidade de biomassa provém de matas de espécies de eucalipto, de pinheiro bravo ou de invasoras, implica que estamos a assumir que não nos interessa modificar a actual composição da floresta nacional, uma vez que matos definitivamente não iremos utilizar. E estamos também a assumir que queremos matas jovens, que produzam continuamente biomassa. Também quando estamos a retirar biomassa das matas, isso significa a retirada de nutrientes que as árvores necessitam para crescerem, ou seja, mais tarde, teremos de fornecer esses nutrientes através de adubos químicos. Será isto coerente?
Não esquecer que as centrais de biomassa produzem cinzas, que terão de ter um destino final. Com que quantidade de materiais pesados e onde serão depositadas?
Para uma valorização consciente da biomassa, deveríamos apostar na diminuição da sua queima, na valorização de transformação em matéria orgânica, por exemplo, com recurso a compostagem individual ou comunitária. No caso das centrais de biomassa deveriam ser aprovadas apenas em regiões onde fosse possível o aproveitamento tanto da energia elétrica como térmica, por exemplo, junto a complexos de estufas ou equipamentos industriais que utilizem o calor. Também se deveria apostar em pequenas instalações que permitissem o uso dos dois tipos de energia, por exemplo, junto a equipamentos públicos.
A floresta serve para muitos propósitos, até para a justificação da instalação de centrais de biomassa ineficientes e que usam produtos de baixo valor acrescentado, que não são remunerados aos proprietários florestais e que levarão a uma cada vez maior desmotivação e abandono. Não acho que seja coerente com a mudança na floresta que o País precisa.
Porque a informação não se esgota neste artigo, os leitores que desejem aprofundar alguns aspectos podem endereçar as questões através do correio electrónico: pquaresma.arouca@gmail.com.
 
Arouca

Quinta, 21 de Janeiro de 2021

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