TEIXEIRA COELHO
 
Novo ano, ano novo
 
OPINIÃO | O capitalismo selvagem gerador de morte apela a uma economia ao serviço da pessoa
 
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A Igreja que somos assemelha-se a uma construção de betão, qual fortaleza que, adormecida e introvertida, espera resistir às arremetidas e às solicitações do "caos" envolvente em que vive e de que participa, como se fosse uma "alfândega" fiscalizadora dos costumes mais do que fonte de esperança e "hospital de campanha".
É a partir do nosso "chão" que tudo pode acontecer. Não será boa norma de vida viver preso, agarrado ao "chão" de cada dia, como se não houvesse um amanhã. Na caminhada que é a nossa vida somos convidados a "amarrar o nosso arado a uma estrela". O futuro joga-se na vida diária de cada um de nós.
No dealbar de um novo ano chamo para aqui duas referências que permanecem no nosso horizonte, iluminam o nosso caminhar e alentam a nossa esperança.
Grande momento do catolicismo português foi, no ano findo, a canonização de Frei Bartolomeu dos Mártires, que nasceu em Lisboa em 1514 e morreu em Viana do Castelo em 1590. O relevo que se deu a tão importante acontecimento não rima com a exemplaridade humana e evangélica desta notável figura de bispo da então diocese de Braga, de 1559 a 1582. É que este foi um bispo de grande estatura quer no modo como pastoreou a sua enorme diocese, calcorreando-a por serranias e vales, de Braga a Bragança, para estar junto das suas ovelhas, nomeadamente daqueles que eram os seus colaboradores directos, seus vigários, os párocos, como também daqueles que sofriam as tormentas da doença, da pobreza e da solidão. Mas não só. O bispo Bartolomeu dos Mártires proclamou no Concílio de Trento, 19º Concílio Ecuménico da Igreja Católica (1545-1563), a necessidade da reforma da igreja, cujos hierarcas viviam afastados dos cristãos, porque mais preocupados com carreirismos e mordomias. Famosa a advertência que aí dirigiu aos padres conciliares: "Os eminentíssimos cardeais precisam de uma eminentíssima reforma". Um bispo com perfil de pastor, com "cheiro a ovelha", sem hábitos, roupagens ou protocolos palacianos.
Grande referência não só para nós cristãos, mas também para o mundo, é o Papa Francisco. Líder para as questões ambientais com uma palavra autorizada e competente aponta para a necessária revitalização da Igreja e suas estruturas institucionais mediante a redescoberta e recentramento na sua missão evangelizadora. No seu magistério descongelou o Vaticano II e vem denunciando, com ‘parresia', o capitalismo selvagem gerador de morte, apelando a uma economia ao serviço da pessoa, especialmente nos mais pobres, de quem se apresenta como advogado e defensor. Papa da renovação, papa da Primavera, papa dos pobres, papa da ternura e da misericórdia, a sua palavra certeira nasce da coerência da sua vida e semeia esperança. A sua compaixão contagia. O modo sedutor e inclusivo como fala, ouve e se aproxima das pessoas testemunha uma igreja ao serviço do Reino, assumido como a sua razão de ser. O Papa Francisco desperta na igreja a dimensão fraterna e participativa de cada um conforme o seu estatuto e os seus carismas, insiste na corresponsabilidade e na sinodalidade e põe o evangelho acima da doutrina. Enfim, um Papa cuja figura se levanta como referência e apelo à renovação. Insiste na responsabilidade primeira da evangelização de todos e empenha-se com denodo na renovação da Cúria do Vaticano reconduzindo-a à sua razão de ser: o serviço da evangelização.
A voragem do tempo não consome o que seja investimento na construção do futuro. Para nós, cristãos, o Futuro já aconteceu, tem um nome: Jesus Cristo / Emanuel (Deus connosco), bússola e energia para as vidas de sucessivas gerações de pecadores, de heróis, de mártires, de santos. A história regista esse percurso com as suas luzes e as suas sombras. É curto, demasiado curto e nada tranquilizador, pensar que caminhamos apenas para o cemitério.
 
Arouca

Sábado, 04 de Abril de 2020

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"A desertificação que assola Arouca e a falta de empenho do executivo na nossa indústria causam-me preocupação"

Vitor Moreira, deputado municipal do CDS, em entrevista ao RV

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