MAFALDA FERNANDES
 
O tempofest
 
OPINIÃO | Os noticiários da TV não têm nada a ver com tanta música, com tanto lirismo...
 
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O termo que serve de título a este apontamento não é um neologismo, não é um galicismo, é, mais ou menos, um disparate. E só lhe foi atribuída existência dada a sintomatologia da sociedade de hoje.
Hoje é tudo fest. Não é bem festa, é fest. É diferente no estilo e nos objectivos da festa. Antigamente, na sociedade portuguesa, por sinal, até imperava a alegria. Eram as bodas de casamento, de baptizados, de romarias que também implicavam bodas e comezainas e, para além disso, que já não era pouco, havia as desfolhadas, as vindimas, as ceifas, os cantares ao desafio, os bailaricos improvisados ao som da viola e da concertina.
Hoje, há a fest. O campofest, a cidadefest, a artefest, o absurdofest. E há o festival. Quase sempre de rock. E se não é rock é o fado. E se não é fado é música ligeira.
O país está cheio de música. É música na TV, na rádio, no automóvel, no leitor de cassetes, a música está sempre presente.
Entretanto, os noticiários nobres da TV não têm nada a ver com tanta música, com tanto lirismo, talvez com tanta boa disposição. Por sinal, até pessoas que podem ser consideradas analfabetas por gente ilustre, só ligam o aparelho de TV à hora dos noticiários. Para assentar bem os pés no chão que pisam, para se certificar que esse chão ainda é firme e seguro.
E foi Pedrógão, Oliveira do Hospital, os grandes incêndios da Califórnia e da Austrália, agora os incêndios da Suécia, da Letónia, da Grécia. Perto de 100 mortos na Grécia, um destes dias, 220 mortos na Síria, outra vez, não importa por culpa de quem, mais algumas dezenas de mortos no Paquistão. De qualquer modo, sempre com o uso de fogo e explosivos.
Não se está a ver bem em que motivo se fundamenta o nosso país e o nosso povo português para levar a efeito, quase todos os dias, uma festa aqui, outra ali, às vezes até próxima e as multidões acorrem pressurosas, divertidas a todas elas.
De tudo isto, fica-nos uma certeza. Não é a certeza de que a sociedade portuguesa é sempre, apesar de tudo, uma sociedade alegre. É a certeza de uma certa curteza de vistas cansada por muita insensibilidade.
E fica-nos outra certeza.
A festa é festa. O fest é, sabe Deus, o quê.
 
Arouca

Segunda, 19 de Novembro de 2018

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