ELÍSIO AZEVEDO
 
A nossa saúde
 
OPINIÃO | Quando se é jovem tudo é diferente e tudo parece fácil
 
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O governo acaba de decretar a redução da quantidade de açúcar contido no montinho destinado a adoçar a bica e fá-lo no cumprimento do que determina o artigo 64º da Constituição da República que consagra o direito que "todos têm direito à protecção e o dever de a defender e promover", acrescentando na alínea a) que isso será realizado "através de um serviço nacional de saúde universal e geral e tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito".
Por enquanto ainda não alargou a medida ao açucareiro lá de casa nem aos doces conventuais, que nisso de excesso de açúcar as monjas eram pecadoras impenitentes, mas a verdade é que o excesso é prejudicial à saúde e tudo quanto seja feito na diminuição de um exagerado consumo merece o apoio de todos - muito embora e em assuntos desta natureza costume ser mais eficaz a persuasão do que a
lei e se assim não fosse também seria fácil decretar a redução do consumo de álcool em festivais, bares
e discotecas, que, só no ano passado, foi responsável pelo internamento de mais de mil adolescentes e
muitos outros curaram a bebedeira causando danos e distúrbios...
Ora, o SNS tem-se degradado significativamente nos últimos tempos, as críticas sobem de tom todos os dias - milhares e milhares de utentes não têm médico de família, as listas de espera são maiores que a légua da Póvoa e há quem aguarde por uma consulta meses e meses e por uma cirurgia quem tenha de esperar um ano inteiro ou mais...
Queixam-se os utentes, queixam-se os médicos e os enfermeiros, o espectáculo nas urgências de algumas unidades hospitalares, e sobretudo em algumas épocas do ano, é degradante e existem instalações indignas de um país civilizado, por falta de investimento e manutenção.
Tudo isto, também é da responsabilidade do Estado e não é só prevenindo e sensibilizando para as consequências de todos os excessos que os problemas da saúde se resolvem, que as listas de espera se reduzem a níveis aceitáveis e as instalações hospitalares reúnem condições dignas. Isso só se consegue investindo e dotando os serviços de saúde dos recursos materiais e humanos que exigem e necessitam para cumprirem com eficácia a sua função.
Quando se é jovem tudo é diferente e tudo parece fácil - o céu azul é mais azul, o sol é mais luminoso, a lua mais sonhadora e as estrelas mais cintilantes, mas quando a idade avança e as realidades tornam tudo mais sombrio, a falta de assistência médica e hospitalar torna-se um pesadelo.
Ainda há quem se lembre do velho hospital, que chegou a ter uma só enfermeira ao serviço, e dos médicos que nesse tempo percorriam o concelho, por caminhos intransitáveis mas deixaram para sempre o seu nome na memória da população e, alguns deles, gravado nas ruas da sede do Concelho, em reconhecimento do seu mérito e da sua extrema dedicação - mas os tempos são outros, os meios diferentes, são maiores as exigências, já poucos se lembram das papas de linhaça e dos sinapismos e uma população cada vez mais envelhecida recorre com mais frequência aos serviços de saúde.
Prevenir e sensibilizar é importante, mas não é menos importante e necessário garantir uma assistência pronta, instalações condignas e diminuir significativamente as listas de espera - dotando os Centros de Saúde e os Hospitais dos meios necessários, para que esse objectivo seja conseguido.
Os problemas da saúde não se resolvem por decreto e o SNS, que foi uma das mais notáveis conquistas da democracia, não pode continuar sujeito a uma degradação que o ameaça e lança no desespero milhares de utentes que, sem meios para recorrer ao sector privado, aguardam, e muitas vezes já sem esperança, por uma cirurgia ou apenas uma consulta.
 
Arouca

Segunda, 19 de Novembro de 2018

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