JOÃO PEDRO BRANDÃO
 
Indignação contra o transtorno da indignação obssessiva
 
OPINIÃO | Começo a ver as redes sociais como aquele miúdo chorão muito mimado que chora por tudo e por nada
 
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Por altura do encerramento da Web Summit, efetuou-se o décimo jantar convívio no corpo central do Panteão Nacional. Os nove jantares anteriores não "espantaram a lebre" nem geraram ondas de indignação. Os jornalistas andariam distraídos e as redes sociais ocupadíssimas a indignarem-se com outras coisas das quais já ninguém se lembra... Desta vez, o jogo amigável com a Arábia Saudita e os périplos de Marcelo, na ressaca de uma efervescente Web Summit, não foram suficientes para entreter as hostes...
E pronto, assim ficou o "caldo entornado" no décimo jantar efetuado no Panteão Nacional. A sede de sangue, depois de uma colorida e talvez um pouco espalhafatosa Web Summit, fez as redes sociais espumarem-se com tamanho atentado à dignidade dos Monumentos nacionais e, neste caso, das figuras lá homenageadas. Finalmente, depois de dias a ouvir as respostas parvas do robot "sophia", temos uma temática com que a malta se pode indignar como deve ser. Sei que vai ser polémico mas acho que quem não gosta de uma boa e indignante temática devia ser forçado a abandonar a rede. Estão à vontade para se insignarem com tal ideia!
Começo a ver as redes sociais como aquele miúdo/miúda (ou mesmo alguém sem género definido, seja a indefinição morfológica, psicológica ou parental - aquela que existente apenas na cabeça dos pais por razões que um dia hei-de vir a compreender...), sim porque nesta crónica respeita-se os direitos da minoria LGBT e zela-se pela igualdade de género... No entanto, isto assim fica complicado explicar... Voltando ao início, começo a ver as redes sociais como aquele miúdo chorão muito mimado que chora por tudo e por nada, sendo que os papás vão logo a corer "apaparicar" o rebento. É assim que se comportam muitos internautas, assim que vêem o primeiro "smiley" com a lágrima no canto do olho ou corado de raiva, precipitam-se sobre o assunto para começar a indignação...
Claro que a comunicação social "embandeira em arco", os opinadores e comentadores profissionais, que já davam voltas à cabeça sobre o que haveriam de comentar, dão graças por cada nova onda de indignação, até porque isto de encontrar temas interessantes para comentar dá muito trabalho e pouca audiência. Nada como um tema indignante para, do alto da sua sapiência, poderem comentar e inflamar ainda mais as hostes. Quando isto acontece, estou até em crer que, se metermos as mãos atrás das orelhas, em concha, ouviremos o ruído de fundo dos internautas que, a partir dos seus tablets, telemóveis e computadores, se erguem para o comentário inflamado, cada vez mais inflamado, sobre o assunto. Gera-se um efeito bola de neve, e de repente é como que cada garfada de cada convidado no dito jantar, fosse em si própria uma espécie de pecado mortal que gera a maior revolta, o maior desprezo, a maior indignação...
Desengane-se o leitor desatento ou porventura menos assíduo utilizador das redes sociais. Não é possível debater uma temática altamente indignante de forma calma. Pessoas comeram nacos de carne enquanto na sala ao lado jaziam Pessoa e Camões. É uma ofensa imperdoável à nação lusitana e quem não o veja assim não passará de um reles traidor da Pátria. Não há bom senso, nem meio termo, nem posições indiferentes quando se trata de temas indignantes. Aliás, ser-se indiferente, ou não se ter a certeza da verdadeira gravidade da coisa, põe-nos imediatamente de um lado da barricada, mesmo que o não queiramos.
Poderíamos pensar que os políticos reagiriam a estas polémicas de forma mais sensata, afinal são eleitos, também por terem bom senso... Acha o leitor que não é por isso que são eleitos? Tem certamente razão... Adiante, foi engraçado ver António Costa, não só a "sacudir a água do capote" como tão bem sabe fazer, mas também a exprimir a sua enorme indignação pela falta de respeito que tal jantar constituiu, acusando o anterior governo de permitir tais ofensas e afirmando que a alteração da lei estará para breve. Nada disse, no entanto, quanto ao facto de ser Primeiro-ministro há um ano e só agora se ter apercebido do suposto problema... Pois... Adiante, foi também curiosa a reação do PSD, que, como já vendo sendo hábito, desata a pedir demissões quando, de facto, eles criaram a lei e outros jantares lá se realizaram quando eram governo... É uma vergonha termos políticos assim, não há quem se indigne com isso? 2017-11-17
 
Arouca

Terça, 12 de Dezembro de 2017

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"Um apicultor tem que ter grande paixão pelas abelhas, mesmo depois de algumas picadas!"

António Azevedo, produtor de mel em Arouca, em entrevista ao RV

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