FUTEBOL
 
FCA vai começar treinos: presidente da Comissão de Gestão faz ponto da situação
 
Joel Pinho dirige Comissão de Gestão do FCA até às eleições
JOEL PINHO: «Temos trabalhado para garantir a continuidade e a sustentabilidade do clube. Quem vier a seguir, que continue»
 
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As eleições no FC Arouca [FCA] tinham data marcada para ontem, sábado, 29 de Junho. Ficaram suspensas por decisão da liderança da Assembleia Geral [AG], até que o Tribunal de Arouca profira decisão judicial sobre o procedimento cautelar avançado pela lista A, liderada por António Matos, excluída do processo pela Comissão Eleitoral. Para já, a única lista admitida, a lista B, presidida por Carlos Pinho, aguarda a hora de ir a votos.

SUSPENSÃO DAS ELEIÇÕES PROLONGA TEMPO DE TRABALHO DA COMISSÃO DE GESTÃO

Aquilo que deveria ser uma gestão provisória de três semanas por parte da Comissão de Gestão [CG] do clube e da sociedade desportiva (SDUQ), aprovada na Assembleia Geral de 7 de Junho, afinal vai durar largos dias, entrando por Julho adentro, em fase adiantada da preparação da nova época no Campeonato de Portugal [CdP].
Impunha-se fazer um ponto da situação sobre a nova época e o que está a ser feito. RODA VIVA falou com Joel Pinho, o presidente da Comissão de Gestão que integra ainda Paulo Cerqueira, Flávio Soares e José Américo Quaresma, comissão de quatro elementos que faz o governo provisório actual do FCA, cujo plantel inicia a preparação segunda-feira. Sem fugir ou se esconder das questões, o líder provisório do FCA falou da actualidade do clube.

«Temos trabalhado para garantir a continuidade e a sustentabilidade do FC Arouca. Quem vier a seguir, que continue»

Qual é a amplitude de poderes da comissão que dirige?
"As duas comissões foram aprovadas por unanimidade em AG. Foi proposto que os associados que quisessem delas fazer parte poderiam fazê-lo. Eu disse que estava disponível, até porque estava mais por dentro dos assuntos e do que é a vida quotidiana do clube, e que seria mais fácil em termos de solução de problemas e de conhecimento do que é a realidade do futebol, que não é um mundo fácil. Foram-nos delegados poderes para fazermos a gestão corrente do clube. Insere-se nestes poderes a contratação de jogadores, porque o FCA não pára. Também poderes para entrarmos com a parte negocial do Processo Especial de Revitalização [PER] porque nós acima de tudo o que queremos garantir é a sustentabilidade e a estabilidade do FCA. Relativamente aos estatutos, é nossa função, enquanto estivermos como comissão de gestão, continuarmos a garantir que o FCA é uma associação credível, séria, e que tudo faremos para garantir que os estatutos e os seus regulamentos sejam cumpridos na íntegra. É o nosso princípio base para começarmos todo o nosso trabalho da parte da associação."

A comissão de gestão da FCA SDUQ já contratou treinador e está a contratar jogadores... Não acha isto uma precipitação para uma liderança que é provisória?
"Relativamente ao futebol profissional, que diz respeito à SDUQ, foi-nos dado poderes para fazermos o trabalho de gestão corrente, isto engloba contratações, gestão e organização. São competências que nos foram dadas em AG. Tivemos uma das assembleias com maior número de associados em termos de presença. Foi-nos pedido pelos próprios associados que continuássemos a trabalhar. É o que estamos a fazer, com uma estratégia bem delineada para garantirmos a sustentabilidade do FCA e a continuidade de uma equipa competitiva. Cumprimos as mesmas linhas de gestão que já vinham da antiga direcção, que é uma gestão de seriedade, de correção e de ambição. É o que procuramos manter. O FCA não pode parar. A equipa já está inscrita no campeonato, que começa a 18 de Agosto."

Em que ponto está o PER?
"Ainda não entramos com o processo. Estamos a preparar todo o processo para depois darmos entrada nos meios legais. Temos vindo a reduzir o passivo, o FCA está no bom caminho. O FCA não vai acabar."

Não vê com alarmismo a dívida do FCA?
"Não estamos num período assim tão negro quanto as pessoas querem pintar. Tivemos duas descidas de divisão, uma quebra de receitas acima dos noventa e cinco por cento e tem de se parar, pensar e ganhar uma estratégia para que se consiga manter a estabilidade do clube. Já reduzimos o passivo, temos vindo a rescindir de forma amigável com vários jogadores, são processos que demoram o seu tempo."

O clube continua a investir. Há assim tantas condições e confiança para o futuro?
"Há investimento, mas de forma sustentável. Não vamos entrar em loucuras mas vamos ter uma equipa forte e bastante competitiva para a realidade do CdP. Mesmo depois de termos descido de divisão, a última assembleia manifestou um voto de louvor e um apelo à continuidade do anterior presidente."

O FCA não corre o risco de cair como já aconteceu com outros clubes?
"Os sócios podem estar tranquilos. Se for tomada uma estratégia de gestão correcta, tudo se resolverá no bom sentido. O FCA não precisa de investidores. Sempre foi um clube que foi dos sócios. E acho que deve continuar assim. Há clubes a quem correu mal compromissos com investidores."

A sua comissão contratou Henrique Nunes. Porquê?
"Já foi meu treinador e do FCA. É um treinador que conhecemos bem e que nos dá boas recordações. Foi ele que nos subiu à II Liga. Esteve no Águeda onde fez um bom trabalho neste campeonato. Quisemos um treinador que incutisse nos jogadores a imagem de marca que o FCA tem: de garra, de combate e de trabalho. Já conhece os cantos à casa."

Também já fez novas contratações. Do plantel anterior, há transições?
"Neste momento continuam o Thales, o Sanchez, o Benny, o Adílio, o Fortes, o Lumu e o Bukia."

Com encara a recandidatura de Carlos Pinho, depois de um pedido de demissão?
"As pessoas sentiram a descida de divisão e o impacto de notícias falsas sobre o clube. A demissão foi uma forma de dar a voz aos sócios. Colocou-se a opção de abandonar, mas após muita insistência de várias pessoas e do apoio sentido na última AG em que as pessoas, apesar da descida, aprovaram um voto de louvor e apelaram com força para que Carlos Pinho continuasse, este ganhou força para se recandidatar. Na AG tudo ficou mais clarificado."

Joel Pinho tem sido director desportivo, mas nunca foi director, é-o agora, provisoriamente, e é afecto à lista do ex-presidente. Como encara a mobilização de uma segunda lista candidata à gestão do FCA?
"Toda a gente é livre de se candidatar e acho muito bem que haja interesse pelo clube. Agora, haver interesse e querer ajudar acho que isso são os princípios básicos da lealdade e da cooperação entre as pessoas. Estamos num meio pequeno e quanto mais união houver melhor. Agora, nunca podemos ultrapassar os estatutos nem os regulamentos do clube, porque se não estaríamos a desacreditar a associação FCA. O sinal básico de um associado é o pagamento das quotas. A decisão de suspender as eleições não é minha. Por um sinal de credibilidade e de clareza acho que a Comissão Eleitoral e o presidente da AG fizeram bem em tomar essa decisão. Mas não é bom para o FCA estar nesta situação. Gera desconforto, prejudica, atrasa e dificulta o trabalho quando devíamos estar todos unidos."

Num eventual cenário de candidatura e vitória da lista A, como seria com os compromissos já assumidos pela comissão de gestão que você dirige? Por exemplo, se essa lista pretender outro treinador e até outros jogadores?
"Primeiro, não entro em suposições. Segundo, todo o trabalho que temos vindo a desenvolver até agora é para o bem do FCA, temos poderes que nos foram dados pelos sócios em AG e, depois, quem vier a seguir continue com as obrigações do FCA como nós temos vindo a continuar com as nossas obrigações. Temos trabalhado para garantir a continuidade e a sustentabilidade do FCA. Quem vier, que continue. É este o caminho. Supondo esse cenário, quem viesse teria de assumir as suas responsabilidades directivas e tomar as decisões que entendesse."

Que mensagem final quer deixar?
"Apelo à união. Estamos aqui para defender os interesses do FCA."


ELEIÇÕES À ESPERA DA DECISÃO JUDICIAL
As comissões de gestão do clube e da sociedade desportiva, lideradas por Joel Pinho, continuarão em funções até que se decida o processo judicial aberto pela providência cautelar. Só depois disso, o FCA, através do presidente da AG, José Luís Silva, anunciará a nova data do acto eleitoral que restituirá a direcção definitiva ao clube e à SDUQ.

OFICINA DO FCA ABRE SEGUNDA-FEIRA - V. GUIMARÃES É O PRIMEIRO TESTE
Os elementos que já integram o plantel do FCA iniciam a preparação da nova temporada na próxima segunda-feira, com a realização dos habituais testes médicos. No dia seguinte, inicia-se o trabalho de campo sob a escala de treinos bidiários. O primeiro jogo de preparação está marcado para 6 de Julho, sábado de manhã, na recepção ao V. Guimarães da I Liga, seguindo-se, no dia 10 de Julho, nova recepção, aos sub-23 do FC Famalicão. 2019-06-30 RV
 
Arouca

Quinta, 12 de Dezembro de 2019

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