POLÍTICA LOCAL
 
«No PPM defendemos o combate à corrupção e ao clientelismo»
 
Carlos Tavares
ENTREVISTA | Na freguesia de Rossas está um dos rostos do centro-direita em Arouca: Carlos Tavares falou ao RV
 
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Continuando a nossa ronda pelos jovens valores seguros da política autárquica de Arouca, nesta edição damos a palavra Carlos Tavares, um dos principais rostos do renovado Partido Popular Monárquico (PPM) de Arouca.
Revela uma visão abrangente e sustentada do desenvolvimento do concelho de Arouca, e tece duras críticas à actual gestão PS da autarquia, sobretudo pela aposta «quase irracional» no turismo.
Natural e residente na freguesia de Rossas, com 40 anos, é licenciado em Psicologia, exercendo
como trabalhador independente.
Foi atleta durante vários anos da equipa de atletismo da Associação Unidos de Rossas, da qual
é actualmente dirigente.

Como surgiu a sua entrada na política no PPM?
A minha entrada na política deu-se aos 16 anos na Juventude Popular, era o CDS liderado por Manuel Monteiro, político que muito admiro, que apostou na revolução geracional do partido e nas juventudes partidárias. A minha geração viveu tempos marcados pelos protestos estudantis, por disputas intensas em eleições para associações de estudantes e tudo isso tornava comum a adesão dos jovens a estas
estruturas e a sua participação e interesse na vida política. Posteriormente, fui convidado a fazer parte das listas do CDS, depois das estruturas locais, das distritais e por aí estive vários anos até que comecei a discordar do rumo do partido e pedi a desvinculação. Fi-lo quando o partido estava num bom momento... Alguns meses antes das últimas eleições autárquicas, fui contactado por um grupo de pessoas descontente com as políticas locais, que não se reviam nas candidaturas apresentadas e entendiam que era importante uma alternativa. Estudadas as formas de apresentação de candidatura, chegamos à conclusão que era muito difícil fazê-lo com um movimento independente, dada a burocracia. A solução encontrada foi concorrer por um partido que mais se identificasse com os ideais dos membros desse movimento, neste caso o PPM, que é próximo de PSD e CDS, tendo já integrado a Aliança Democrática. Não sou militante do PPM, nem de qualquer partido. Procuro, enquanto o representar, ser digno da confiança que em nós depositou.

O que difere o seu partido dos demais, sobretudo os do arco do poder?
O PPM valoriza a ecologia (é o primeiro partido ecologista português) e as matérias ambientais, de uma forma consistente e moderada, focalizada no mundo rural, na floresta diversificada, autóctone e no equilíbrio das pessoas, economia e ambiente. Valoriza a descentralização, a autonomia dos municípios
em relação ao poder central (municipalismo), as actividades agrícolas e do mundo rural, a salvaguarda
da identidade e da soberania nacional no âmbito da União Europeia, a economia do mar, a descida de impostos e a defesa dos sectores produtivos em geral. Defende o combate aos desequilíbrios e assimetrias locais e regionais, à desertificação, à corrupção, às regalias e clientelismo, à falta de eficiência do Estado e aos custos da má gestão pública.

Quando vão apresentar o vosso candidato à autarquia nas eleições de 2021?
Ainda não está definido se concorremos sozinhos ou em coligação...

Mas estão receptivos a coligar-se com o PSD e CDS?
O PPM é um partido moderado de centro-direita, está aberto a possíveis coligações com estes ou outros partidos do nosso espectro político. De concreto, tivemos um contacto por parte do partido Chega e outro do Iniciativa Liberal. O primeiro recusamos imediatamente, o segundo está em estudo.

Vão concorrer a que Juntas de Freguesia?
Temos ambição de concorrer a mais freguesias do que nas últimas eleições.

Que balanço faz do mandato autárquico do PS?
Mais do mesmo! As opções continuam as mesmas de sempre, muito show-off despropositado e desnecessário que apenas servem para camuflar a ineficácia na resolução dos verdadeiros problemas dos arouquenses. A Variante continua e vai continuar por concluir. O saneamento idem. Soluções
para combater a desertificação continuam a não ser nenhumas. Continuamos os mais pobres da Área Metropolitana do Porto. Não há habitação a preços acessíveis para os jovens. Seguimos no final da lista no índice de Transparência Municipal. Foram gastos milhares de euros em projectos de arquitectura, qual município rico e sem carências sociais, sendo exemplo o projecto do museu da raça arouquesa, que depois não se concretizam. Continua a aposta "quase irracional" no turismo. Neste particular entendo que
é hora de pedir respostas a duas questões fundamentais (que o Partido Socialista pode dar sem dificuldade, com recurso a dados mensuráveis e verificáveis, conscientes que são da responsabilidade que tal investimento significa): Quantas unidades hoteleiras se instalaram no concelho? Quantos empregos estáveis e dignamente remunerados foram criados?

A presidente tem estado à altura do desafio?
Tem um estilo muito próprio e todos sabíamos quais as suas áreas de eleição. Se pensarmos que o seu programa foi aprovado com maioria absoluta, só os distraídos se podem sentir defraudados, dado que o caminho seguido foi o previsível. Começou mal, ao querer estar demasiado presente, ocupando um espaço que deveria caber aos vereadores, mas foi melhorando esse aspecto. Fica-me a impressão
que tem alguma dificuldade em lidar com aqueles que se lhe opõem. Engrandecer o lugar que ocupa passa por ser presidente de todos os arouquenses e não só daqueles que apoiam o Partido Socialista.

E a oposição?
A vereação ficou reduzida à banalidade depois da saída da Sandra Melo. Na Assembleia Municipal onde, na minha opinião, o PSD tem os seus melhores elementos, a prestação tem sido positiva.

A ponte suspensa foi um bom investimento da autarquia?
Não! Uma estrutura daquela dimensão, construída naquele tipo de materiais, nunca seria uma opção para
aquele local e para os amantes da natureza. O município continua assim a sua aposta irracional no turismo, uma área bem conhecida de todos pelos baixos salários e precariedade. Para piorar, a aposta é no turismo de aventura que, ao contrário do turismo de saúde e bem-estar e do turismo religioso, não traz dormidas. Depois, os produtos turísticos "morrem". Daqui a cinco anos vai ser necessário outro, porque os
existentes estarão esgotados e só significarão despesas de manutenção. Dificilmente se conseguirá atingir um modelo de desenvolvimento sustentável apostando as energias e as finanças, actuais e futuras, numa obra (ainda por cima no local de outro grande investimento turístico). É necessário diversificar o investimento e apostar nas áreas tradicionais, como agricultura, floresta, indústria, ensino tecnológico,
área social...

Se fosse poder, o que faria diferente do PS no actual mandato autárquico?
No essencial, o rumo seria diferente. Aliás, essa é a mensagem que, em verdade, teremos de ser capazes de transmitir às pessoas. Quem concordar com este modelo de desenvolvimento faz muito bem em votar no PS, já sabe com o que conta! Com o PPM o rumo muda, se algum dia formos poder. Como exemplos, acaba a aposta cega no turismo e no mediatismo, substituída por uma aposta na industrialização do concelho; acabam as constantes obras no centro da Vila e serão feitas de forma equitativa em todas as freguesias do concelho; acaba o financiamento, constante e sem critério, à Associação Geoparque, esta terá de ser auto-suficiente.

A persistente saída de jovens de Arouca para outras paragens é uma inevitabilidade? Como se contraria essa tendência?
A resposta a essa pergunta encontro-a, por exemplo, no Município de Campo Maior. Todos os municípios do interior alentejano foram varridos pela desertificação e Campo Maior mantém, desde 1970, a sua população, a qual aumentou ligeiramente nos últimos Censos. Isto acontece porque é um concelho industrializado, capaz de responder às naturais expectativas dos jovens. Arouca, não sendo sequer um município do interior, seguindo o actual modelo de investimento, corre o risco de ver a sua população reduzida a metade, nos próximos 40 anos...

A autarquia tem feito tudo na prevenção e combate à Covid-19?
Reconheço que se tem esforçado nesse sentido. Há pequenos pormenores, tal como a construção do "hospital de campanha", que me pareceu infeliz na escolha do local e mal calculado o timing. Também eram de evitar as constantes entrevistas e vídeos publicados na fase mais critica verificada em Arouca para dizer coisas banais.

Qual a posição do seu partido face ao galopar do preço da água em Arouca?
No âmbito dos diversos serviços a prestar por qualquer Município assume particular relevo o fornecimento de água, o saneamento e a recolha de lixos. Em Arouca, ao contrário do que foi dito às pessoas aquando da adesão à rede de águas, inicialmente designada "Águas do Noroeste" e actualmente "Águas do Norte", assiste-se nos últimos tempos a um galopante e imoral aumento do preço da água e saneamento. O concelho de Arouca, com uma população economicamente débil, jamais poderá pagar um bem essencial,
que é a água, com as tarifas mais altas do país. O que se agrava com as tarifas do saneamento e dos resíduos sólidos, feitas em proporção. O valor do saneamento deveria ter em conta o número de pessoas do agregado familiar. Além disso, a prometida construção da rede de saneamento avança a passo de caracol, tendo sido um dos argumentos utilizados para a adesão. Manifestamos, em relação a este assunto, um conjunto de dúvidas: O que impedia o Município de concorrer a financiamento comunitário?
Onde podemos consultar a lei, ou o que quer que seja, que impedia os Municípios de concorrer? Para quantos anos a concessão? Qual o custo de reversão? A Câmara está actualmente a assumir a comparticipação em obras de saneamento. Vai o Município fazer o investimento e a empresa receber os
proveitos? Como se justifica que Arouca se situe no 21º lugar do ranking do preço da água (em 2019) com encargos anuais de 171,5 euros para um consumo mensal de 10 m3 de água? Como se justifica que os Municípios que não enveredaram por este caminho continuem com uma taxa de cobertura de saneamento superior a Arouca e os preços praticados sejam bastante inferiores?...

O regresso de Portugal ao regime monárquico seria restaurador?
Sim, sem dúvida! Um Rei é a génese da nossa identidade. Um Rei não tem partidos nem se associa a causas políticas. É de todos e para todos, sendo motivo de aproximação dos povos. A República já permitiu um regime de ditadura. Já vimos um Primeiro Ministro chamar ao Presidente da República
força de bloqueio. Vimos outro PR dissolver um parlamento por questões eleitorais. Vemos agora os partidos a apresentar candidatos à PR quando se pretendia que esta fosse supra-partidária. Os candidatos à República têm campanhas políticas financiadas por privados. O regresso de Portugal
a uma Monarquia Constitucional, como o PPM defende, idêntico às actuais monarquias europeias, cujos países possuem as sociedades mais prósperas e os seus sistemas democráticos superam, em larga escala, os estados republicanos. Disso são exemplos a Suécia, Noruega, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Dinamarca, Liechtenstein, Reino Unido, Andorra. Convém esclarecer, se dúvidas houver, que numa Monarquia Constitucional a posição e o poder do Monarca é estabelecida pela Constituição. Ao Monarca cabe o papel de Chefe de Estado, sendo o poder legislativo da competência do Parlamento. A duração do reinado de um Monarca Constitucional depende da vontade do Parlamento e do seu Povo, uma vez que o
instrumento referendário está presente nas monarquias modernas, ao contrário do actual Conselho de Estado da República Portuguesa, onde não está previsto em que momento e circunstância terminam estes "Ilustres Conselheiros" o seu mandato. JCS 2020-11-01

 
Arouca

Terça, 26 de Janeiro de 2021

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A Frase...

"Os arouquenses estão preocupados com o preço da água, tal como eu estou"

Margarida Belém, presidente da CMA, em entrevista ao RV

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