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SOCIEDADE
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Protecção às crianças e jovens em debate inter-regional
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Jorge Oliveira, presidente da CPCJ de Arouca
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Presidente da CPCJ de Arouca, Jorge Oliveira, marcou presença em encontro para troca de experiências e boas práticas
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"Ainda estamos muito longe do que é necessário", proclamou David Loureiro, fundador e durante 16 anos presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Vale de Cambra, no II Encontro Inter CPCJ, que ontem reuniu na cidade do concelho vizinho representantes de CPCJ's do Aveiro-Norte, em concreto de Vale de Cambra, Arouca, S. João da Madeira, Castelo de Paiva e Espinho. Em causa os meios, humanos e materiais, de que essas entidades ainda carecem para bem cumprirem os seus objectivos. "Isto é uma missão!", avisou o responsável, que agora trabalha numa Unidade de Recursos Assistenciais Partilhados do Ministério da Saúde. Avisou que cuidar de crianças e jovens exige mais técnicos qualificados para as intervenções que se impõem nesse domínio, assim como técnicos com disponibilidade de afectar mais tempo de trabalho. Também apontou "a insuficiência de recursos logísticos" como entrave ao cumprimento das tarefas das CPCJ's. O exemplo mais gritante é que serão raras as comissões que dispõem de uma viatura. Some-se - sublinhou - a habitual instalação destas entidades em "espaços reduzidos", que "não garantem privacidade" no abordar de casos humanos mais sensíveis. David Loureiro ainda pôs do dedo na ferido quanto ao modelo operativo das comissões de protecção, que são compostas por uma comissão restrita, vista como operacional, e por uma comissão alargada, que inclui a restrita e representantes de instituições variadas - sector social, escolas, mundo empresarial e autarquias, nomeadamente. "Lá vão funcionando, mas numa comissão alargada com 20 membros é normal que só três ou quatro trabalhem", enfatizou. Jorge Oliveira, o presidente da estrutura do concelho de Arouca, falou das actividades que a sua CPCJ desenvolve com as escolas, mesmo em período de férias. Micaela Marques, da CPCJ de S. João da Madeira, defendeu uma abordagem pedagógica ao problema: "temos de nos sentar ao lado deles e explicar", acentuou, referindo-se a quem se integra na alargada sem grande conhecimento da problemática ou até disponibilidade para se envolver plenamente. Exemplificou com a postura da sua instituição que, para novo mandato, abordará as IPSS (instituições particulares de solidariedade social) da cidade/município, exortando a que nomeiem para a comissão alargada uma pessoa "com o perfil adequado" e que se integre "para trabalhar". Deu nota de que esse trabalho de envolvimento tem vindo a ser feito, anunciando que a Misericórdia sanjoanense vai permitir que um seu técnico dê sete horas semanais de trabalho à comissão restrita. Ainda sobre o tema, Leonor Fonseca, de Espinho, avisou ser fundamental que a Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens reforce o apoio às suas "filhas" espalhadas pelo território nacional. Pediu mais formação para os agentes no terreno, sendo enfática na crítica à tutela: "as CPCJ's são negligencidas pela comissão nacional", afirmou, considerando que tal postura é sinónimo de "maus tratos" a quem assume os desafios postos pelas comunidades. O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vale de Cambra, Pina Marques, pôs em dúvida a eficácia de um sistema em que, antes da feitura de um relatório que determine uma intervenção, haja agentes que contactaram uma família problemática "apenas umas duas vezes". Opinou que "o Governo tem de apostar na prevenção de forma profissionalizada", sublinhando que a falta de acompanhamento estatal e de meios dificulta a protecção de crianças e jovens. "Fico indignado com a forma como, muitas vezes, os profissionais e as instituições são tratados", sentenciou. AOS/RV 2018-11-21
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