ASSOCIATIVISMO
 
«Temos levado o nome da nossa instituição cada vez mais longe»
 
Jorge Aido
ENTREVISTA | Jorge Aido, presidente da Banda Musical de Figueiredo
 
   Mais fotos
  Outras acções...
 Enviar a um amigo
 sugerir site
No fecho de mais um ano, RODA VIVA ouviu o presidente da quase tri-centenária filarmónica arouquense Banda Musical de Figueiredo (BMF). Jorge Aido, de 29 anos, é natural da freguesia de Cabreiros, e é o primeiro a dirigir a filarmónica depois de ter iniciado os seus estudos musicais na escola de música da associação com o mesmo nome. Começou no mundo das notas e das pautas aos oito anos, com o professor Almerindo Pinheiro. Frequentou também mais tarde a Academia de Música de Arouca, na classe de trompete, do professor Sérgio Carvalho.
Paralelamente, concluiu o mestrado em engenharia electrónica e de telecomunicações
na Universidade Aveiro, exercendo na área das telecomunicações.


Que balanço faz da sua presidência na Banda Musical de Figueiredo?

O balanço é positivo. A Banda Musical de Figueiredo tem vindo a registar um crescendo gradual e sustentado e este ano demos continuidade a esse crescendo. A nossa qualidade artística continua a aumentar, estamos a crescer em músicos e em alunos na escola de música, temos levado a cabo várias actividades e concertos para o público arouquense. Temos levado o nome da nossa instituição e da nossa terra cada vez a mais lugares, seja em festas, por exemplo até Macedo de Cavaleiros, seja em outras actividades, como por exemplo foi o caso bem recente do desfile de Bandas Filarmónicas do Primeiro de Dezembro - desfilamos na Avenida da Liberdade em Lisboa e, com a ajuda da transmissão da RTP, levamos a nossa Banda a muito público espalhado pelo pais e fora dele. Claro que para este balanço ser positivo há muitas contribuições, desde os corpos sociais, os músicos, o maestro Fernando Alves, os sócios e patrocinadores, assim como muitas pessoas que nos ajudam e estão sempre connosco nas mais diversas ocasiões.

Quais os objectivos que pretende concretizar ao longo deste mandato?
A dinamização da escola de música, a melhoria das condições ao funcionamento da Banda, a organização interna e o natural crescendo na qualidade e na diversidade de actuações. A escola de música tem vindo a ser uma aposta forte - estamos a investir e queremos fazer crescer ainda mais. A nossa sede, que também é o local de ensaio e de ensaio, é uma forte limitação ao funcionamento da escola de música, e para combater isto, temos apostado na diversificação de localizações e horários das aulas. Neste momento damos aulas em Figueiredo, em Salvador do Burgo e temos também uma parceria com a escola de música de Moldes, onde também estamos a dar aulas de instrumento. No entanto, no próximo ano queremos aumentar esta oferta em mais uma ou duas localizações, e assim chamar ainda
mais alunos e formar mais músicos. Deixamos o apelo para que façam inscrições na nossa sede, aos sábados à tarde, a partir de 13 de Janeiro para o próximo período lectivo. Estamos também empenhado na aquisição de um meio de transporte que nos permita deslocar o material necessário para as actuações, já que o temos actualmente já não é suficiente. Para melhorarmos o nosso desempenho enquanto associação, vamos apertar no controlo de custos, também para que consigamos mais
apoios para fazer face às avultadas despesas de funcionamento que temos.

O lado artístico...
A crescente qualidade e diversidade nas actuações é algo que tem vindo a ter um bom crescimento, mas que queremos ainda melhorar mais. Desde o início do ano contamos com o maestro Fernando Alves na direcção artística da banda, que nos tem trazido um incremento na nossa qualidade. Os músicos obviamente são essenciais, assim como o seu empenho e dedicação para que se consiga esta evolução.
Nesta parte têm também os pais um forte papel de os incentivarem, apoiarem, de os levar aos ensaios e aulas e estar com eles nas mais diversas actuações. Um ‘obrigado' por esta contribuição que é muito importante. Em termos de formação, o papel da Academia de Música de Arouca é também um grande
contributo para a formação de músicos e para o seu desenvolvimento artístico, já que as bandas filarmónicas do concelho tiram frutos desta formação continua.

A população da freguesia do Burgo apoia e acarinha a associação?
Sentimos que temos a população connosco, assim como a nossa paróquia de São Salvador do Burgo. Apesar de o bairrismo já não se notar como noutros tempos, é graças ao contributo de muitas pessoas que a banda consegue fazer face a várias dificuldades. As pessoas da freguesia do Burgo sabem que tem na banda uma instituição que leva o nome da nossa terra a tantos sítios diferentes e que contribui culturalmente para a freguesia, seja com actividades, seja com a oferta formativa na freguesia. Se me perguntar se queremos as pessoas mais próximas, a participar mais e a apoiarem a resposta é um "claro que sim" expressivo.

Como vê o panorama filarmónico em Arouca?
O panorama filarmónico, assim como associativo, em Arouca é muito bom. O concelho tem três bandas filarmónicas activas e que muito contribuem para a agenda e para a oferta cultural do nosso concelho, assim como uma diversidade de associações que fazem também um excelente trabalho. Estas têm levado a cabo vários concertos e vários eventos, na sua maioria todos grátis ao público em geral. Isto é duplamente vantajoso para o público arouquense, tanto por ter várias instituições que organizam eventos, como também o é para o nosso município que tem as bandas com uma oferta que preenche a agenda cultural, e que facilita na organização, com reflexos na redução de custos em contratações externas. Além disto, as bandas são centros de formação musical, onde se aprende a tocar um instrumento, contribuindo assim para um maior conhecimento cultural e para a oferta formativa e de actividades para os arouquenses.

Existe rivalidade entre as três bandas de Arouca?
Nos dias que correm pode-se dizer que é saudável. As rivalidades não-saudáveis, normalmente, são consequência do assédio de uma banda a músicos de uma outra. Quanto a nós, temos respeitado sempre o trabalho das outras bandas, e por isso também queremos que respeitem o nosso.

Tem sentido o apoio das entidades oficiais do concelho: Câmara e Junta?
Sim e agradecemos esse apoio. Seria praticamente impossível manter o funcionamento da nossa instituição e fazer face às dificuldades e custos que envolvem o nosso regular funcionamento. Neste ponto, deixamos uma nota na atribuição do apoio do município, que difere entre as bandas e não sabemos exactamente a razão... Há custos muito significativos, como a escola de música, a renovação e aquisição de instrumentos, os fardamentos e transportes,... e que não conseguimos fazer cumprir completamente todos os anos. Há também empresas e várias pessoas que nos apoiam e que ajudam de alguma forma a fazer face às despesas. A propósito, deixamos um obrigado e um cumprimento ao presidente da Junta, Ângelo Miranda, e à presidente da do município, Margarida Belém, pelo apoio à nossa instituição e por estarem connosco, como foi o caso da nossa recente deslocação a Lisboa.

A Banda de Figueiredo tem futuro?
Tem futuro. A banda é constituída maioritariamente por jovens e tem conseguido envolver cada vez mais gente. Apesar de não ser fácil manter instituições destas em crescendo, estas têm conseguido adaptar-se às mudanças e acompanhando a modernização e avanço da cultura. As bandas são instituições bastante antigas, no nosso caso alcançamos em 2017 os 276 anos de existência, mas continuam a ser um contributo grande para a sociedade, para a cultura e para os mais diversos eventos em que participam.

O que representa a instituição para si?
Esta não é uma pergunta fácil de responder mas que quem anda nestas lides percebe. Mas para tentar explicar digo-lhe que faço parte da BMF há mais de vinte anos. Comecei com os meus oito anos a aprender música na escola de música com Almerindo Pinheiro. Desde aí, a não ser nas ocasiões que vivi no estrangeiro, sempre tive uma participação regular na banda e procurei estar sempre presente, quer pelo imenso gosto que tenho pela banda, quer pelo convívio e amigos que tenho lá. A banda, além da música e da cultura, é um grupo de amigos fantástico que tenho, com os quais já passei tantas peripécias
e tantas aventuras que só de me lembrar de algumas... [risos]. Contribuiu e contribui para minha formação cultural e cívica. Aprendi muito, como músico e como dirigente.

Os seus músicos e músicas preferidas?
Muito por causa da banda considero que tenho os gostos musicais bastante alargados e por isso muito
longos de descrever. Mas resumidamente, em termos de músicos, os preferidos na área dos sopros vão para o Steven Mead, por exemplo, que é um embaixador mundial do instrumento que toco - o bombardino - isto apesar da minha formação ter sido em trompete e também gostar muito de trompa. Aprecio bastante música clássica e costumo assistir a concertos com alguma regularidade. Um dos que mais gostei foi da segunda sinfonia de Gustav Mahler, que tive oportunidade de ver ao vivo em Aveiro quando ainda estudava por lá, mas também de ver a opera "O barbeiro de Sevilha", ao vivo, na ópera em Viena, Áustria. Este gosto acompanha-me também no repertório da banda. Apesar da maioria das pessoas gostar mais de obras de temas mais populares, é das primeiras partes dos concertos que gosto mais, pela música mais clássica.

A melhor prenda que a BMF gostaria de receber este Natal?
Só podemos pedir uma? [risos]. A banda precisava de várias prendas... Instrumentos, viatura de transporte... Mas a maior limitação que temos são as nossas instalações... Estamos na antiga escola primária de Porto Escuro, em Figueiredo, mas que quer pelo numero reduzido de salas, quer pela dimensão limitada da sala onde a banda ensaia, estamos necessitados de apoio nessa área. Com as mudanças que se prevêem para a Academia de Música de Arouca, vemos também como uma forte possibilidade e objectivo o uso das actuais instalações da Academia. Para finalizar, queria, em nome da direcção, apenas deixar um agradecimento a todos os sócios, apoiantes, e simpatizantes da BMF pelo apoio sempre concedido, e também para deixar a todos e a toda a comunidade arouquense votos
de umas excelentes festas e de um óptimo novo ano. JCS

(entrevista publicada na edição impressa do RODA VIVA jornal de 2017.12.14)

 
Arouca

Domingo, 16 de Dezembro de 2018

Actual
Temp: 9º
Vento: WNW a 3 km/h
Precip: 0 mm
Nublado
Seg
T 10º
V 3 km/h
Ter
T 9º
V 8 km/h
PUB.
PUB.
 
INQUÉRITO
Onde vai passar o 'reveillon' este ano?
 
 
A Frase...

"A AECA existe há 27 anos e sempre valorizou o colectivo em detrimento do individual"

Carlos Brandão, presidente da associação empresarial, na cerimónia de aniversário

EDIÇÃO IMPRESSA

RSS Adicione ao Google Adicione ao NetVibes Adicione ao Yahoo!
PUB.
Desenvolvido por Hugo Valente | Powered By xSitev2p | Design By Coisas da Web | 27 visitantes online