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Agostinho Watela dirige três paróquias do concelho de Arouca
 
Agostinho Watela esteve com o RV
Padre com espírito de missão numa Igreja em transformação | NOTÍCIA COM MAIS DE 7000 VISUALIZAÇÕES
 
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O padre Agostinho Watela veio de Angola paroquiar Fermedo, Escariz e S. Miguel do
Mato. Após sete anos de trabalho, lê Igrejas locais em processo de adaptação a um tempo
que exige mais dos leigos

Há umas semanas, o Papa Francisco visitou o nosso País e canonizou os videntes Francisco e Jacinta
Marto. Durante dias e dias, os peregrinos tinham marchado pelas estradas de Portugal rumo a Fátima, o Altar do Mundo.
Foi tempo para a religião, e em especial o Catolicismo, ocupar ponto central nas prioridades mediáticas.
Por contra-ponto ao quase espectáculo da religiosidade em directo, em muitas paróquias trabalha-se para
acertar agulhas com uma realidade que transforma as vivências cristãs em cada comunidade local.
Faltam padres e parte da solução está na activação dos leigos e no recuperar de tradições da Igreja, de que é exemplo a figura e Ministério do Diácono.
O padre Agostinho Watela chegou a Portugal em 2009, na companhia do padre Arnaldo Farinha. Um acordo entre as dioceses de Benguela e do Porto permitiu uma solução para minorar a falta de sacerdotes entre nós. Hoje, o primeiro é pároco de Fermedo, Escariz e S. Miguel do Mato e o segundo
do Vale e de Guisande, no concelho de Santa Maria da Feira.
«Esta visita foi uma bênção», salientou o padre Agostinho, sobre a presença em Fátima de um Papa que - assinalou - «marca o seu tempo» e com o qual «toda a gente quer ter um contacto directo». Realçou o empenho de Francisco na «transformação interior» da Igreja.
Destacou a naturalidade com que o Santo Padre privilegia o contacto com os fiéis, em especial com os mais pobres e fragilizados. «O que dá credibilidade ao Cristianismo », enfatizou.
O sacerdote angolano dirigiu o discurso para a realidade das suas paróquias, destacando o sentido «de
missão» que levou à sua vinda para entre nós.
Já tinha sido pároco no país-natal e, como confessou, esperava encontrar neste território arouquense comunidades «com uma participação dos leigos muito mais activa». Recordou que Portugal é parte de uma Europa que, durante séculos, foi o «ponto fulcral da Cristandade», até porque acolhe a Santa Sé e o sucessor de Pedro no seu território.
O padre Agostinho Watela assumiu-se «em caminho» para a edificação de Igrejas locais consonantes com o espírito do tempo e com as necessidades que a realidade dita.
Não iludiu que o número de sacerdotes disponíveis se revela cada vez mais insuficiente para preencher os lugares que vão ficando vagos nas paróquias. E como «o padre não pode, nem deve, ser uma espécie de rei», cabe aos leigos dar um passo em frente, participando mais nas dinâmicas e organização.

Em evolução

Referiu que a Igreja do Porto avançou com uma solução tradicional, mas que hoje «ainda não é bem compreendida » por muitos fiéis: o diácono, homem casado feito "Ministro da Igreja", que pode assumir certos actos, nomeadamente casamentos, baptismos e funerais.
«Procuramos lançar a semente». O pároco de Fermedo, Escariz e Mato recordou o tempo em que, com o padre Farinha, começou a tomar o pulso às três paróquias. Registou, desde aí, «um caminho de evolução, de aceitação», não isento, contudo, de incompreensões e de recaídas num tradicionalismo marcado pelos interesses particulares de cada comunidade.
Sublinhou a determinação em edificar «estruturas» que possam manter-se funcionais independentemente do padre que lidera. Não escondeu que, obviamente, a personalidade e o estilo de liderança de cada pastor influem na dinâmica. Mas reafirmou a importância de uma linha orientadora.
«Nas três paróquias há pessoas com uma entrega total», vincou, desenrolando uma avaliação. Destrinçou entre S. Miguel do Mato menos povoada e Fermedo e Escariz com mais gente, mais potenciais colaboradores, com «empenho e criatividade», mas ainda com algumas reacções contrários
aos ventos de mudança.
Apesar disso, testemunhou que, no geral, os seus paroquianos vão interiorizando que as novidades nas
dinâmicas não é algo que deva ser visto como «um invenção do padre».
Deu o exemplo do alargamento do tempo de Eucaristia dos 45 minutos para uma hora teve a ver com a necessidade de «valorizar alguns aspectos litúrgicos».
Acrescentou perceber as críticas que vão surgindo a horários de missas, naturais, disse, em função de uma avaliação segundo o interesse de cada paróquia, mas contraproducentes em face de uma obrigatória conjugação dos interesses das três terras que serve.
Símbolo do novo tempo, o conceito de "inter-paroquialidade" apresentou-se aos cristãos do ocidente concelhio. No recente período pascal, S. Miguel do Mato e Fermedo uniram-se em algumas celebrações. Reconhecendo-se que a união não foi plena entre os crentes e que críticas se levantaram.
«O bispo do Porto [Dom António Francisco] insiste nesta relação inter-paroquial», acentuou o padre Agostinho. Considerou que, dado «o contexto» da Igreja Católica, é uma solução que «vem a propósito».
Assegurou que as comunidades muito terão «a ganhar» com a realização de uma caminhada em conjunto, na qual trabalhem e programem juntas a vida e a celebração na Fé. Exortou a que se ponham de lado «rivalidades» quase sempre fundadas «em preconceitos».
Fazendo bandeira da máxima «o padre é um com a comunidade», o sacerdote vindo de terras angolanas mostrou-se disponível para continuar o seu trabalho com os cristãos de Escariz, de Fermedo e de S. Miguel do Mato.
Sabe que, a qualquer momento, os dois bispos de que depende - de Benguela e do Porto - poderão decidir de outro modo. Pessoalmente, «não há sinais» de que se deixará vencer pelo cansaço ou pelos obstáculos que continuará a encontrar nos caminhos que ainda vai ter de trilhar em terras arouquenses.
Alberto Oliveira e Silva 2017-05-31

 
Arouca

Terça, 12 de Dezembro de 2017

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"Um apicultor tem que ter grande paixão pelas abelhas, mesmo depois de algumas picadas!"

António Azevedo, produtor de mel em Arouca, em entrevista ao RV

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