PEDRO SOUSA
 
Acordar para os idosos
 
OPINIÃO | Da cidadã ninguém se lembrou, do número de contribuinte faltoso não faltou quem se lembrasse
 
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Fomos todos abalados pela notícia macabra de uma cidadã que esteve em casa, morta, durante nove anos sem que ninguém tivesse dado conta.
As teias da lei e da justiça, apesar dos esforços de um familiar, impediram a deteção de tão trágico acontecimento mais cedo. Uma situação que nos envergonha a todos.
Neste caso em particular, nunca ninguém (incluindo o Estado) deu por falta da cidadã, aquela que vivia naquele local e devia descontar todos os meses a pensão que recebia. Mas o mesmo Estado deu por falta da contribuinte, aquela que deveria pagar impostos e não o fez e, portanto, toca a penhorar o apartamento. Da cidadã ninguém se lembrou, do número de contribuinte faltoso não faltou quem se lembrasse.
Mas quase tão mau como este caso, é o frenesim noticioso à volta do mesmo. A imprensa precisa mesmo deste tipo de notícias para manter-se à tona da água.
Os dias seguintes serviram para descobrir mais alguns casos parecidos (ainda que com muito menos tempo). Ou seja, familiares e/ou amigos andaram dias sem ligar treta nenhuma à eventual ausência de alguém, mas depois de aparecer na TV todos ganharam essa preocupação.
O nosso país não trata os idosos como deve. Os idosos que necessitam de apoio, não todos os idosos. Nem todas as pessoas acima dos 65 necessita de apoio, felizmente.
Mas muitos daqueles que necessitam verdadeiramente de apoio são lançados ao abandono primeiro pelas famílias (algo que não consigo compreender, a sério), e depois o próprio Estado não garante que aqueles que já contribuíram para o país tirem agora partido do desenvolvimento do mesmo.
As pessoas acima dos 65 anos representam mais de dois milhões de portugueses. Portugueses que já deram o seu melhor ao país e às suas famílias. Portugueses que precisam agora que lhes devolvam em apoio, carinho, disponibilidade, apoio financeiro, apoio na habitação e cuidados, etc, tudo aquilo que deram aos seus.
Colocando de lado o problema económico - muito difícil para muitos - recordo-me de ler que o segundo problema era a solidão. E aqui falhamos redondamente enquanto sociedade, porque "tratar" deste problema não exige milhões. Não colide com as medidas de austeridade.
Os censos que se realizarão este ano serão importantíssimos para revelar como estão distribuidos os idosos em Portugal.
Em 1999 quase 38% dos idosos vivia com a família. O que nos dirão os números de 2011?
Dados recentes devem enojar-nos enquanto sociedade e exigir uma vigilância atenta de todos. E todos os dias, não apenas quando as TV's decidem pegar no tema. Por exemplo, em 2009 mais de 70% (sim, setenta por cento) dos crimes contra idosos foram praticados por familiares. Quem é esta gente hedionda e porque anda ainda à solta?
A justiça tem de se organizar para tratar casos destes rápida e eficientemente. A sociedade tem de estar atenta e denunciar. E a denúncia deve ser pública para ver se a vergonha cobre quem tem atos de tão vil cobardia.
Em grande parte dos casos esta é já uma situação de crime público, pelo que pode ser denunciada por cidadão. Não fiquemos indiferentes.
São diversas - felizmente - as instituições que se dedicam a colmatar a falha da sociedade perante esta pessoas. O seu trabalho meritório é reconhecido por todos e merece o apoio de todos quanto podem contribuir. É a elas que muitos dos idosos agradecem não sofrerem da tal solidão que tanto os apoquenta, acreditando no que dizem os estudos que vêm a público. É a elas que devem cuidados necessários e apoio quando preciso.
E Arouca não foge a esta regra, com instituições fantásticas (e outras a surgir) que desempenham esse papel de forma empenhada e, acredito, apenas com o lamento de não poder fazer mais.
Os idosos não devem estar na nossa mente porque por vezes um jaz esquecido num apartamento qualquer. Os idosos devem estar na nossa mente porque o que já deram e o que guardam são um importante património que já encheram apartamentos de vida.
Li em tempos que na China se colocava a hipótese de criminalizar o facto dos filhos deixarem de visitar os pais.
Quando li, pareceu-me mais uma anedota do outro lado do mundo. Hoje... já nem sei.
 
Arouca

Sábado, 23 de Outubro de 2021

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