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ARMANDO ZOLA
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Que futuro?
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OPINIÃO | Desde há mais de 12 anos que não nos aproximamos, antes nos afastamos, em termos de poder de compra, da média europeia
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Vão decorridos cerca de 35 anos, um governo, dos primeiros saídos de Abril, decretava uma redução de 10% nos vencimentos dos governantes como primeira das medidas a serem seguidas para aproximar quem mais ganhava dos que menos recebiam. Insurgiu-se então contra esse propósito Mário Soares, clamando, alto e bom som, que isso era "o nivelamento por baixo", "a democratização da miséria" e que não fora para isso que os portugueses tinham lutado contra a ditadura. Portugal e os portugueses, dizia, tinham direito a um nível de vida, para todos, como o dos países europeus desenvolvidos. No "socialismo de rosto humano" que defendia, residia a esperança de o conseguir. O tempo passou. Muita coisa se foi "nivelando por baixo". Até alguns elementares benefícios, conquistados ainda antes do 25 de Abril, foram suprimidos, sem vantagens para nada e para ninguém. A miséria vai-se, de novo, "democratizando". Cerca de 20% dos portugueses estão dentro do limiar da pobreza. Concluía um estudo recente do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa que mais 31% dos portugueses se encontram no patamar imediatamente acima daquele limiar da pobreza. Por isso, também estes "à bica" para caírem nesse limiar. Cerca de 12% dos nossos concidadãos não podem sequer comprar os medicamentos de que precisam. Desde há mais de 12 anos que não nos aproximamos, antes nos afastamos, em termos de poder de compra, da média europeia. É a "democratização" que não queríamos. Soares ainda protesta. Mas já sem o fulgor e, julgo mesmo, sem a aguda sensibilidade de outrora. Para superar a crise, nossa e da Europa também, clama-se por "mais Europa", o que, por outras palavras, significa mais integração, menos soberania nacional. E também por mais solidariedade europeia. Soares relembra a ideia dos "Estados Unidos da Europa" preconizado pelos "pais fundadores" da União Europeia (U.E.). Seguindo por este caminho e defendendo-o como única panaceia para a crise, escrevia, há dias, o director de um conceituado órgão de informação nacional: - "É insustentável manter esta Europa sem fazer dela uma federação com direitos e obrigações iguais para todos." A intenção é boa, mas mesmo que ela pudesse concretizar-se, apenas prolongaria a nossa agonia no seio "desta Europa" também agónica. Veja-se, de resto, o epílogo que tiveram na história recente as federações de povos próximos, por exemplo na URSS e na Federação Jugoslava. Como seria a vida e o eventual epílogo de uma federação de povos tão díspares como os da Europa a 27?! De qualquer modo, os países mais prósperos da U.E. jamais aceitariam empobrecer-se para propiciarem efectivos "direitos e obrigações iguais" a todos os europeus. O que concedem tem essencialmente em vista a salvaguarda da sua própria segurança e estabilidade. Ah, "democratização" da miséria, mas deixando alguns de fora! Portugal é, na U.E., o país que ostenta o maior fosso entre os que mais ganham e os que menos recebem e, na OCDE, só a Coreia lhe usurpa o 1º lugar no pódio! E POR CÁ? QUO VADIS AROUCA? 1 - Bom: não temos a estrada. Com a esperança de a ter, pobres, pagaremos as dos que, menos pobres, as têm à porta, para que estes as tenham sem pagar. Mas, chiu, quietos e calados, pois com seu feitio, dizem, ainda a esperança nos fazem morrer! 2 - Vendem-se os anéis: entre outros, o terreno a norte do edifício do cinema, para onde havia o estudo prévio da Casa da Juventude e das Associações e do Arquivo Municipal. Vende-se, dizem, para "enterrar" o produto da venda numa cave que não reúne os requisitos mínimos do equipamento de cultura que Arouca merece e de que, cada vez mais, precisa. Pois, vão-se os anéis! Um dia, quando houver dedos, faltar-lhes-ão esses preciosos e insubstituíveis "adornos". 3 - Vamos retomando o hábito de elevarmos coisas minúsculas à condição de grandes feitos ou realizações. Assim, contribuímos para projectar ou definir os contornos, interna e externamente, da nossa dimensão e das nossas ambições. Com tudo o que de nefasto isso tem.
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