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CARLOS BRANDÃO
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A herança do Dr. Tavares de Almeida
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OPINIÃO | Estão a evaporar-se muitos bens públicos sem que ninguém se preocupe ou ponha cobro a estas situações
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Numa época de crise, cá em Arouca, por exemplo, ela pode ser vista e sentida através da falência de empreiteiros que estavam a executar obras públicas em diversos locais do concelho. O Pólo de Fermedo e o Centro Social de Chave são apenas dois dos mais recentes casos que mostram que a crise é real e que está aí para ficar. Perante este cenário, o rigor deveria imperar e as entidades públicas deveriam começar a dar o exemplo, entre outras, através de fiscalizações apertadas e de regras de boa gestão do seu património. Isto não está a acontecer e estão a evaporar-se muitos bens públicos sem que ninguém se preocupe ou ponha cobro a estas situações. Um exemplo flagrante é a Herança do Dr. Tavares de Almeida. Esta Herança era pertença de três entidades e assim permaneceu por mais de vinte anos com gestão corrente do património, colocando abaixo árvores de forma ordenada e para pagar as contas de manutenção do próprio património, funcionária, etc, tal era a vontade do doador. Este foi sempre o entendimento dos anteriores presidentes de Câmara, de Junta e Provedores da Santa Casa da Misericórdia de Arouca. A Junta de Freguesia de Chave era a Cabeça de Casal e ia gerindo o património, como se de um particular se tratasse, e ia rentabilizando o pinhal fazendo mondas esporádicas, "nunca a varrer", e durante mais de vinte anos foi suficiente para manter a funcionária, para fazer pequenas obras no Solar do Reguengo que já serviu de sede à Junta de Freguesia e a exposições culturais, entre outras. No ano passado, neste jornal, publiquei fotos com os buracos no telhado deste solar e com os silvados que cobriam o jardim, que muito incomodaram o sr. Presidente da Junta que veio logo responder que iria colocar árvores abaixo para fazer obras e recuperar o solar, etc, etc. Pois muito bem, após um ano verificamos o que sucedeu: as árvores foram de facto derrubadas "a varrer", o solar está agora muito pior do que estava, obras nem vê-las, e o dinheiro resultante do seu abate parece ter-se evaporado!... Onde está o rigor?! Onde está a boa gestão?! Onde estão os responsáveis das três instituições?! Não terão explicações a dar? Entretanto parece que "o resto" está à venda. Em linguagem bíblica há um capítulo que reza mais ou menos isto (São Marcos 15,24): "...Depois de o terem crucificado, repartiram as suas vestes, tirando a sorte sobre elas, para ver o que tocaria a cada um...". Será que estes senhores estão a cumprir os desígnios da Bíblia? Numa altura de crise como a que vivemos, onde o rigor e as regras de boa gestão e de responsabilização deveriam imperar, surge este caso e esta situação grave e toda a gente parece "assobiar para o lado"? Que pensarão os futuros doadores perante "isto"? A sua vontade não contará? Como munícipe e como cidadão, que se considera responsável e honesto, gostaria de ser esclarecido e de compreender, porque senão começo a pensar que vivemos numa "selva" onde tudo vale e tudo poderá estar a saque!... Assim não vamos lá. Há ainda os anteriores Presidentes de Câmara, de Junta e Provedores que conhecem os desígnios da doação e sabem perfeitamente o que pode ou não ser feito e que, quanto a mim, se estes se calarem estão também a serem complacentes com a actual situação. Quem cala consente, já assim diz o povo há muitos anos. Estarão estes certos da real dimensão do que está a suceder?! Poderão futuramente dormir descansados e tranquilos sem problemas de consciência? Eu, pelo que conheço e pelo que geri enquanto secretário da Junta de Freguesia de Chave (1994-1998) acho que está a ser cometido um tremendo erro e esta é a minha descarga de consciência e o meu contributo para que os actuais responsáveis leiam o testamento (o que acredito que, em alguns casos, não aconteceu) e retirem daí algumas ilações.
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